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Postada em 16/06/2021 ás 12h20
Fonte: Folhapress

Bolsonaro nega existência, mas diz não ver problema em gabinete paralelo no combate à Covid

As investigações da CPI da Covid no Senado estão direcionadas aos 14 integrantes do grupo de assessoramento ao presidente.
Bolsonaro nega existência, mas diz não ver problema em gabinete paralelo no combate à Covid
Estadão Conteúdo

Apesar de todas as evidências, o presidente Jair Bolsonaro negou nesta terça-feira (15) a existência do gabinete paralelo que ditava a eles as regras de enfrentamento à pandemia de Covid. Caso existisse, seguiu o presidente, isso não seria um problema.

As investigações da CPI da Covid no Senado estão direcionadas aos 14 integrantes do grupo de assessoramento ao presidente para temas ligados à pandemia e com defesa de teses negacionistas.

Por meses, ao largo do Ministério da Saúde, são médicos, atuais e ex-assessores palacianos, um empresário bilionário e até um congressista desprezaram a importância da vacina e enalteceram, em sintonia com Bolsonaro, a defesa de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid

Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou, o gabinete paralelo participou de ao menos 24 reuniões no Palácio do Planalto e no Palácio da Alvorada. Nelas estavam, por exemplo, a oncologista Nise Yamaguchi -em 5 encontros- e o deputado Osmar Terra (MDB-RS) -que foi a 11. Há elementos ainda da participação de mais seis médicos.

Uma das reuniões com especialistas da área de saúde foi transmitida em vídeo pelas redes sociais de Bolsonaro. No encontro, o presidente recebeu a sugestão de criar uma espécie de "gabinete das sombras" para tratar da resposta oficial à pandemia da Covid. A proposta foi feita pelo virologista Paolo Zanotto.

"Foi feita uma live e ficou na minha página. Daí a CPI pega isso, diz que era um gabinete paralelo. E se fosse? Qual o problema? Eu tenho que ouvir pessoas para tomar providências. Não posso tomar providências sem ouvir pessoas", disse o presidente.

"E era uma coisa inédita, ninguém sabia no mundo todo. E nós sempre defendemos o tratamento precoce depois de ouvir muitos profissionais de saúde como esses, que eram os Médicos Pela Vida", completou Bolsonaro em uma entrevista via internet à RIC TV, afiliada da Record em Rondônia.

Ao longo do programa, Bolsonaro fez críticas ao presidente e ao relator da CPI, respectivamente os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL), e disse que a comissão "não sabe o que fazer" e se transformou na "CPI da cloroquina" e "agora virou a CPI do oxigênio lá em Manaus".

Em depoimento à CPI também nesta terça, horas antes da entrevista de Bolsonaro, o ex-secretário de Saúde do Amazonas Marcellus Campêlo afirmou a ênfase no tratamento precoce em missão do Ministério da Saúde ao estado durante a crise provocada pela segunda onda da pandemia no início deste ano.

O ex-secretário evitou contrariar a fala do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello sobre a data em que o governo federal foi informado sobre problemas no fornecimento de oxigênio no Amazonas, mas reconheceu que ficaram sem respostas ofícios para o ministério para tratar do assunto.

O Ministério da Saúde enviou ao Amazonas nos primeiros dias de janeiro uma missão chefiada pela secretária de Gestão do Trabalho e da Educação da pasta, Mayra Pinheiro, que passou a ser chamada de "capitã cloroquina", por sua defesa do medicamento.

Campêlo também confirmou parcialmente a versão dada por Pazuello sobre a data em que o governo federal foi informado sobre o colapso no fornecimento de oxigênio.

À CPI o ex-ministro afirmou que teve uma conversa com Campêlo na noite de 7 de janeiro, mas que na ocasião apenas lhe foi pedido auxílio logístico para o transporte de oxigênio.

"Quem trata disso aí na ponta da linha desta questão é o respectivo prefeito e governador e seu secretário. Não é o governo federal", disse Bolsonaro na entrevista no fim da noite de terça.

"Fomos avisados informalmente e tomamos providências rapidamente para colaborar com o estado do Amazonas. Até porque lá foi uma coisa que aconteceu de uma hora para a outra", afirmou Bolsonaro.

"A curva de infectados subiu assustadoramente, ninguém podia esperar aquilo. E fizermos o que tinha que fazer. O ministro Eduardo Pazuello, naquele momento, em colaboração com o governador do estado do Amazonas", completou.

Na mesma entrevista, Bolsonaro disse acreditar que, até setembro, mais de 60% da população estará vacinada. A imunização no Brasil começou em janeiro e, até agora, apenas 15% da população tomou as duas doses de vacina.

O presidente também desmereceu a Coronavac, imunizante que garantiu o início da vacinação no país e que foi viabilizado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), inimigo político de Bolsonaro.

O mandatário disse que a Pfizer "tem bem mais credibilidade que uma outra que foi distribuída há pouco tempo aqui e continua sendo distribuída".

Bolsonaro insistiu ainda em sua intenção de permitir que quem já foi imunizado ou que já se infectou com o coronavírus possa dispensar o uso de máscara.

O presidente chamou de negacionistas aqueles que se opõem à ideia que está sendo estudada pelo Ministério da Saúde e que é considerada temerária por especialistas.

"Então, olha só, a pessoa que tomou vacina, se alguém quer que ela não seja dispensada do uso de máscara, essa pessoa não acredita na vacina. É uma pessoa, aí sim, negacionista", afirmou Bolsonaro.

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