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Giro Indígena

Giro Indígena

Postada em 11/09/2020 ás 18h37 - atualizada em 14/09/2020 ás 16h39

O SETEMBRO AMARELO NOS CABE ENQUANTO INDÍGENA?

A luta dos povos indígenas pela saúde mental preservada
O SETEMBRO AMARELO NOS CABE ENQUANTO INDÍGENA?
Ytahy Guajajara e Camila Guajajara

Por: Tel Guajajara

O Setembro Amarelo nos cabe? Sim, e muito! A vida é uma das dádivas que as populações indígenas sempre glorificam, seja através de rituais, costumes e cultura no modo geral, dentre elas estão as tradicionais festas de passagem presentes em diversas etnias. Entendendo o mês do Setembro Amarelo, onde se mobiliza a campanha em defesa da Saúde Mental e prevenção ao suicídio, é válido lembrar que o debate nunca esteve no centro das discussões feitas nas comunidade indígenas. Sabe-se que hoje a taxa de mortalidade indígena por suicídio é quase o triplo da média nacional, nos últimos anos, os Guarani Kaiowa estiveram como uma das etnias que mais se registrou casos de suicido dentre a faixa etária de jovens.

De acordo com os dados da FUNAI sabemos que os indígenas estão chegando a quase 1 (um) milhão na população do Brasil, e que boa parte ainda se encontra em aldeias e outras em contextos urbanos. Desse ponto já vemos que uma boa parcela já não se encontra efetivamente presente com sua comunidade originaria, mas que isso de certa forma já abala seus psicológicos por ver outra cultura diferente da sua. Mas por que abala? Os povos indígenas são uma das populações mais diversas que existem até hoje, entre elas está diversas particularidades presentes. Viver em um contexto urbano é um desafio muito forte, a sociedade por muitas vezes ignora o fato dessas populações possuírem outras culturas/costumes, e acabam reprimindo com estigmas e preconceitos em cima desses povos. A cultura que prevalece hoje no Brasil é totalmente ligada ao euro centrismo, onde quer excluir parte das diversidades ainda presentes e que são colocadas em diversos setores do país, principalmente na educação. As maiores causas que levam aos indígenas a tirarem suas próprias vidas estão ligadas à vários fatores.

O preconceito está presente diariamente na vida do indígena, pelo simples fato de sermos diversos. O estigma aplicado ao indígena ainda é muito forte, os indígenas sofrem racismo de diversas formas, pelo modo de falar, andar, comer, se vestirem e até mesmo viver de modo geral. Entendendo esse contexto, podemos pensar como isso é pesado para aqueles que precisam viver na cidade com tudo isso, a exclusão sempre teve ligada a essas questões. A segregação desses povos nos espaços públicos e privados também é forte, pois acreditam que nunca são capazes de fazer determinadas tarefas.

O território é seu solo sagrado, é sua casa, é sua vida, e para isso ela precisa está preservada para continuar sendo seu alicerce. Sabemos que a luta pela demarcação de terras não é de agora, desde a Constituição de 1988 a luta vem sendo árdua, os conflitos ainda prevalecem e estão ligadas diretamente as pressões que causam os problemas psicológicas, para além de ameaças e perseguições de grandes empresas para que os povos deixem suas terras alegando serem improdutivas. Vários povos já declaram o desgaste físico e mental, pois sabem que isso é ruim para a comunidade, a luta pelo território sempre esteve como peça fundamental para sobrevivência dos povos que se mantém de pé.

Entretanto, não são apenas esses fatores que desmotivam o indígena de viver. No âmbito da saúde indígena em geral é importante ressaltar que a diminuição dos problemas psicológico se dá através de políticas de proteção a vida desses povos, e que deve ser efetivamente analisando para poder intervir.

 

Camila Guajajara, indígena do Povo Guajajara - MA, filha de cacique e Assistente Social da CASAI (Casa de Saúde Indígena) Piauí relata:

‘’No nosso Distrito Sanitário Especial Indígena DSEI—MA, a equipe Psicossocial prioriza a importância do olhar atento a nossa população indígena no dia respeito a saúde mental, promovendo educação permanente devido um grande número o casos, dentre eles, depressão, ansiedade, uso abusivo de álcool e outras drogas e suicídio. Levando em consideração a cultura que influenciam diretamente no modo de vida de cada um. Nosso objetivo é fornecer suporte necessário para pacientes e familiares para mais de 37.000 indígenas, distribuídos em 22 municípios no estado do Maranhão e Piauí. Com 34 equipes multidisciplinares.  Fortalecendo a valorização da vida indígena. É importante olhar que muitos dos problemas psicológicos se dar também pela influência de fora da comunidade, como o relatado acima. Diversos envolvimentos emocionais da própria família, por muitas vezes acaba que afetando a comunidade como um todo. Portanto, centralizar as políticas de prevenção da vida nas comunidades é fundamental para que possamos manter as nossas vidas e culturas vivas, o fortalecimento do debate é urgente e necessário, ainda mais colocado nessa conjuntura, onde nossas vidas não estão sendo respeitadas. O povo indígena seguirá na preservação de seu povo e de sua história. Instituição: SESAI-DF/DSEI-MA/CASAI-PI’’

Para Ytahy Guajajara, povo Guajajara – MA, da Comissão Nacional de Mulheres Indígenas do Brasil, Acadêmica do curso de Direito na UFPA e do Conselho de Cacique Região Belo Sonho relata:

‘’As ações de prevenção das vidas são muitos importantes, porque há tempos atrás essas ações não eram visíveis, por muito tempo o suicídio era visto como algo cultural, e hoje a gente percebe que não é essa a realidade. Alguns anos atrás, entre 2006 e 2012, na Terra Indígena Bacurizinho, região da Aldeia Bananal, tivemos um índice muito grande de suicídios em que uma família inteira chegou a se suicidar. Com o passar do tempo, a gente buscando entender porque isso estava acontecendo bastante, não tínhamos ação de prevenção contra o suicídio que era visto como algo cultural, e não é.  Quando foi dado início à essas ações é que a gente foi buscando entender também o que acontecia, são vários fatores que não se diferenciam tanto da vida do não indígena, nós também temos frustrações que precisa ser discutidas, alguém tem que nos aparar emocionalmente, que a gente possa estar sobrevivendo a todas essas mudanças constantes que acontecem, não é diferente você se indignar pela falta de aplicações de políticas públicas, pela falta de proteção dos territórios, isso tudo causa uma tristeza profunda, ainda mais no cenário atual que a gente não encontra uma expectativa de vida, isso é muito importante, a gente acaba que essas emoções deixar nos afetando cada vez mais de ter um controle, por isso precisamos de ações especificas, por mais que que parece distintas com outras populações, mas a saúde mental, é algo muito igual. Lidar com o povo indígena é algo sempre muito delicado, e falar da vida de como você vai transmitir a questão da compressão da vida e da compressão das comunidades indígenas é muito complexo, por isso que defendo a prevenção que seja de forma especificas, para cada povo e cada costume, para que não afeta mais os povos. O que deve prevalecer é avida, enquanto tivemos vidas devemos lutar por elas.   

 

#VIDASINDÍGENASIMPORTAM

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