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Postada em 10/03/2021 ás 16h23 - atualizada em 17/03/2021 ás 11h00

Mulheres Que Inspiram: Vilma Alves, a pioneira na Polícia do Piauí

Vilma Alves foi a primeira mulher que entrou na Polícia ainda quando as funções na corporação eram totalmente masculinas.
Foto: Lucas Dias/GP1

Antes mesmo de existir um instrumento legal de punição contra os crimes de violência doméstica, a Lei Maria da Penha, e da tipificação do crime de feminicídio, o Piauí já tinha uma referência na defesa da mulher e na luta por igualdade de gênero.

A mulher negra que se apresenta como a titular da Delegacia da Mulher no Centro de Teresina é tida como aquela em quem a vítima de violência tem o motivo de esperança na busca por Justiça. Vilma Alves foi a primeira mulher que entrou na Polícia ainda quando as funções na corporação eram totalmente masculinas.

“Os homens chegavam, como chegam ainda, no começo olhavam para mim e falavam que queriam falar com a delegada. E eu respondia: ‘sou eu’! Uns olhavam atravessado, outros se retiravam, e outros falavam na cara dizendo que não iam ser atendidos por mim. Mas, eles voltavam porque eu sou a delegada”, relata.

Há mais de 30 anos trabalhando na área da segurança pública, Maria Vilma Alves da Silva, ou somente Vilma Alves, começou trabalhando no Instituto de Identificação do Piauí, um órgão da Secretaria de Segurança Pública. Nos primeiros dias na função, ela lembra que foi vista diferente porque era mulher e também por causa da cor da pele.

“Imagina uma menina nova, cheia de sonhos, e entra em uma instituição que era cheia de violência. Mas, eu comecei trabalhando no Instituto de Identificação, e quando iam tirar fotografia diziam que ia ficar tudo escuro, porque eu sou negra”, relembra.

Viúva, mãe de três filhos, avó de oito netos, e poetisa nas horas vagas, Vilma segue firme na luta contra o machismo e a violência doméstica. Formada em Direito, ela também foi professora, diretora de escola e vereadora.

Foto: Alef Leão

O contato com as bandeiras de defesa da mulher surgiu com as lutas em movimentos sociais e toda essa experiência e o conhecimento de causa da luta das mulheres ela levou para o seu trabalho na Polícia. “Sou mulher de movimento, luta. Pertenço aos primeiros movimentos de mulheres. Nós realizávamos um trabalho de conscientização, de manifestação contra os machistas, estupradores, contra os homens que maltratam e que matavam”, diz.

Enquanto Vilma lutava e defendia uma bandeira feminista, a Polícia ainda era considerada machista. E isso refletiu na estrutura de segurança. No Brasil, somente em 1985 foi criada a primeira Delegacia da Mulher e no Piauí isso só ocorreu mais de 10 anos depois, em 1999, quando o estado foi o último do país a ter sua própria delegacia para as vítimas de violência doméstica.

O reflexo também pode ser observado na participação feminina na Polícia. Segundo o IBGE, nas PMs espalhadas por todo o país, que hoje tem um efetivo de 417 mil policiais, as mulheres compõem apenas 11% das tropas. Na Polícia Civil, a participação feminina é maior: elas somam 28% do efetivo de 117 mil policiais civis.

Nos últimos cinco anos, o crescimento foi pequeno. Em 2014, a PM tinha 10% de mulheres, 1% a menos do que tem hoje, enquanto, na Polícia Civil, as mulheres eram 26% dos agentes, 2% a menos do que são hoje.

Esse cenário aos poucos vai mudando. No Piauí, Vilma foi precursora desse movimento e inspirou outras tantas mulheres assumirem cargos de comando na Polícia: Andrea Magalhães, Daniela Barros, Eugênia Villa e Anamelka Cadena, entre outros nomes de mulheres que foram inspiradas por ela.

Ter uma mulher do outro lado da mesa em uma delegacia é importante porque a vítima reconhece naquela mulher a esperança de conseguir a Justiça. Vilma é importante para as mulheres, para a polícia e para a sociedade. Isso representa e reforça a ideia de que o lugar e uma mulher é onde elas quiserem.

“A mulher não é fraca, ela é digna de respeito. Nós mulheres somos a perfeição de Deus. Somos nós que parimos os homens. Nós temos um compromisso sagrado”, finaliza Vilma a mulher que inspira as piauienses.

Foto: Ascom/Semec

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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