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Postada em 02/04/2021 ás 16h33

Abril Azul: saiba como promover acolhimento e inclusão da pessoa autista

Buscando dar mais voz e trazer para as rodas de conversa de forma natural e acolhedora, a psiquiatra infantil comemora no dia 02 de abril o Dia Mundial De Conscientização do Autismo.
Abril Azul: saiba como promover acolhimento e inclusão da pessoa autista
Foto: Reprodução

Receber um diagnóstico de qualquer deficiência ou transtorno, não é nada fácil. E uma síndrome que ainda assusta muitas famílias é o Autismo ou Transtorno do Espectro Autista (TEA). O autismo é uma condição do desenvolvimento neurológico que causa dificuldade no desenvolvimento da linguagem, na forma de se comunicar, comportamento e na interação com o social.

Buscando dar mais voz e trazer para as rodas de conversa de forma natural e acolhedora, a psiquiatra infantil comemora no dia 02 de abril o Dia Mundial De Conscientização do Autismo. Essa data chama a atenção da sociedade para uma questão que atinge, pelo menos, 2 milhões de pessoas no Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A psicóloga clínica, social e escolar, Dryelle de Castro Melo, relata que muitos são os cuidados para se melhorar a qualidade de vida de uma criança autista, mas que um dos principais dev ser o seu diagnóstico.

“Através da observação é possível levantar hipóteses, mas somente os profissionais especializados podem fechar o diagnóstico. É importante que a família tenha em mente que com o diagnóstico logo na infância, é possível buscar uma intervenção multiprofissional a fim de cessar futuros prejuízos para a criança. Esses profissionais especializados podem ser neuropediatras, psiquiatras infantis, neurologistas e pediatras. São esses profissionais que vão avaliar a criança e que ajudarão a criança em diversos aspectos, diminuindo muitas dificuldades, assim como classificarão o grau de autismo de cada paciente, que pode ser leve, moderado ou severo”, conta Dryelle.

O tratamento e o acompanhamento da pessoa autista é feito de forma multidisciplinar, com psiquiatra, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta assistencial, e o melhor: todas essas terapias podem ser feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Mas, como identificar o autismo?

Cada indivíduo apresenta suas particularidades. Contudo, alguns comportamentos e sinais podem apontar o diagnóstico da pessoa autista ainda na infância. São eles:

- Dificuldade para interagir e manter contato visual;

- Ausência de resposta ao ser chamado ou questionado;

- Apresentar comportamentos estereotipados (repetitivos – muitas vezes para se acalmar);

- Dificuldade em demonstrar emoções;

- Dificuldade de fala;

- Ecolalia (repetição de falas e sons);

- Ausência ou excesso de sensibilidade diante de alguns estímulos como roupas, sons, machucados, toques, etc.

- Apego em excesso com determinado objeto;

- Resistências com mudanças;

-  Irritabilidade quando expostas a locais barulhentos

- O brincar não é funcional;

- Atraso motor.

 

Laços e família

Um dos principais alicerces da pessoa autista é a família e amigos. Isso não significa uma vida de dependência, mas sempre é importante ter laços palpáveis e confiáveis nesse processo. A psicóloga Dryelle Melo diz que muitas famílias sofrem julgamentos pela forma de lidar com o filho autista. “Muitas pessoas julgam a forma como os pais lidam e tratam as crianças, seja por não conhecer a realidade, ou falta de informação. Isso muitas vezes gera a exclusão, por conta da não compreensão, pela falta de empatia, por não se permitirem compreender a realidade do outro e acessar informações em relação ao que é o autismo. Por isso, é importante falar sobre”, conta.

A auxiliar administrativa, Bruna Alves, é mãe de uma criança com TEA e fala sobre como foi o diagnóstico de seu filho. “Eu tive a confirmação em outubro de 2020. Mas no fundo meu coração eu sabia que havia algo que era diferente no meu filho. Muitas pessoas diziam que era “coisa minha”, mas eu sabia. E em maio do ano passado eu por conta própria já busquei investigar e levei ele à fonoaudióloga, a psicóloga e marquei a consulta com o neurologista. Eu percebia o atraso da fala e que ele não prestava atenção quando eu chamava o nome dele. Até mesmo a forma de brincar dele era diferente. E foi aí que tivemos a confirmação”, conta Bruna.

Mas para Bruna o seu principal desafio não é o cuidar do filho, e sim, a tentativa de incluir socialmente seu filho. “O que me deixa mais triste são os olhares maldosos. Mas o principal desafio que passei foi a dificuldade para inserir ele no ambiente escolar. Percebi que falam muito de igualdade, mas que a realidade é completamente diferente. Inclusive, eu jamais pensei que com tantas informações que se falam, que ainda iríamos enfrentar algum tipo de preconceito”, lamenta a mãe.

 

Acolhimento e desafios

Mesmo não sendo um transtorno raro e desconhecido, muitos são os tabus e preconceitos que ainda circulam quanto ao tema autismo. Todos os mitos e preconcepções levam em muitos casos ao reforçamento de atitudes que dificultam a socialização e inclusão da pessoa autista no meio social.

A psicóloga Dryelle Melo relata que um dos maiores desafios ainda é o preconceito sofrido pelos autistas devido ao estranhamento de alguns comportamentos apresentados por eles, assim como, a falta de compreensão e a exclusão por parte de outras pessoas que muitas vezes fazem julgamentos sem conhecer a realidade daquela família. “Outros “mitos” que ainda circulam, é que muitas pessoas acreditam que a pessoa autista vai ser sempre dependente de um parente ou familiar para realizar qualquer atividade. Há quem acredite que uma criança autista depende dos pais para se alimentar, ir ao banheiro e para fazer as suas atividades, mas eles tem potencial sim para desenvolver sua autonomia. E outra, é que o autismo não é doença. Doença muitas vezes diz respeito a ausência de saúde, e uma pessoa ser autista não significa ter um problema de saúde. Ela possui apenas um transtorno de desenvolvimento”, pontua.

A psicopedagoga Leila Coutinho ressalta também a aceitação da família quanto ao diagnóstico, no qual muitas vezes é relutante, assim como a importância do apoio dos outros membros da família e de amigos, formando uma grande rede de acolhimento a essa pessoa.

“Vejo também que muitas escolas não tem estrutura e nem profissionais preparados para receber crianças autistas. Falta muitas vezes a empatia também, assim como uma equipe estrutural para ajudar na adequação e manejo desses alunos, como psicólogos, psicopedagogos e fonoaudiólogos. A falta de preparo dos profissionais da escola pode gerar situações equivocadas que podem ser prejudiciais para o desenvolvimento daquela criança” conta Leila.

Em anos de experiência a psicopedagoga ainda diz ouvir sobre “mitos” sociais acerca do autismo. “Já ouvi que vacinas causam autismo. Que autismo tem cura, quando sabemos que não tem pois não é uma doença. E o que mais ouço: que autista não aprende. Mas sim, eles são capazes de aprender qualquer coisa e ter uma vida dita normal”, conta.

O papel da escola é muito importante na vida da pessoa autista, principalmente na socialização. É através da escola que muitas crianças autistas começam a desenvolver habilidades que antes tinham dificuldades. “Quando essa criança está na escola, ela entra em contato com outras da mesma idade, iguais a ela. E é aí que acontece a identificação. A criança passa a ser mais acolhidas pelos colegas. Há um aumento da autoestima e da independência, tanto da criança quanto da família. Ela nem sempre vai funcionar no mesmo tempo que as outras crianças, mas ela passa a ter esse contato que geralmente não acontece no ambiente familiar e passa a desenvolver o cognitivo, o emocional, a linguagem e o motor”, relata a psicopedagoga Leila Coutinho.

Mas é preciso ter muito cuidado e estar atento as particularidades de cada crianças. Com isso, Leila diz que é necessário que os pais façam uma pesquisa sobre a escola que irá receber a criança autista, pois muitas vezes a escola desejada nem sempre é a que melhor acolherá o seu filho.

 

Pandemia e a quebra de rotina

Ficar longe da escola, dos amiguinhos e das atividades diárias, pegou muitos pais de surpresa, mas especialmente as crianças, que de uma hora para outra tiveram que ficar em casa, sem contato com o mundo lá fora. Contudo, esses impactos são sentidos de forma mais drástica pelas crianças com autismo.

A mudança abrupta de rotina, junto com a interrupção de atividades, terapias presenciais e do hábito de convívio social foi fonte de muita confusão e desorganização emocional entre as crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Em meio a tantas mudanças, os pais de crianças com espectro autista tiveram que se readaptar a rotina de seus filhos. Vale ressaltar que cada criança com TEA é singular e particular, por isso diferentes respostas podem ser obtidas.

A psicóloga Dryelle Melo comenta que a quebra da rotina é algo que pode incomodar muito o autista. “Pensando na pandemia, um dos principais desafios para a criança autista, assim como os pais, foi o rompimento com a sua rotina. Ter de mudar e inserir novos aspectos nessa nova rotina e pode ter sido muito prejudicial”, diz.

Bruna Alves, relata que está sendo muito difícil cuidar do filho autista durante a pandemia. “Eu tento fazer o máximo que posso, tentando estimular ele em casa. Mesmo com todo medo ainda levo para a escola, pois acredito que isso é um marco importante. E posso dizer que com isso ele se desenvolveu muito. Muito mesmo. Então, eu fico muito feliz, pois cada aprendizado e descoberta na vida dele é algo muito importante para mim, pois o "tempo dele é diferente"” rela a mãe emocionada.

Quanto a educação, a psicopedagoga Leila Coutinho disse que a escola teve que se reinventar, inclusive para acolher o aluno autista, pois estes precisam de uma atenção especial e a quebra de rotina foi prejudicial no cotidiano dessas crianças. Contudo, ela ressalta que a luta continua e que deve-se sempre respeitar o tempo e particularidades da criança com autismo e que aprender, sempre é possível.

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