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Postada em 05/05/2021 ás 10h15
Fonte: Tribuna do Norte

Jovem invade creche, mata três crianças e duas mulheres em Santa Catarina

Contido pela população, antes da chegada da Polícia, encontra-se ferido em estado grave.
Jovem invade creche, mata três crianças e duas mulheres em Santa Catarina
Foto: Jocimar Borba/Ishoot/Estadão Conteúdo

Um jovem de 18 anos, identificado como Fabiano Kipper Mai, matou três crianças, com idades entre 6 meses e 2 anos, uma professora e uma funcionária ao invadir uma creche armado com uma adaga no município de Saudades, há aproximadamente 60 quilômetros de Chapecó, no oeste de Santa Catarina. Contido pela população, antes da chegada da Polícia, encontra-se ferido em estado grave.

De acordo com o delegado Jerônimo Marçal Ferreira, da Comarca de Pinhalzinho, o jovem não tem passagem pela polícia nem histórico criminal. "Era um rapaz discreto que morava na cidade e trabalhava em uma empresa de vestuário", disse à Rádio Bandeirantes. Solteiro, o criminoso cursava o 9.º ano do ensino fundamental. Segundo um familiar, que não quis se identificar, era uma pessoa "normal" e trabalhadora.

Mai chegou à creche Pró-Infância Aquarela, no centro, por volta das 10 horas. Logo ao entrar na creche atacou uma professora de 30 anos que, mesmo ferida, correu para uma sala onde estavam quatro crianças e uma funcionária da escola, na tentativa de alertar sobre o perigo. O rapaz, então, teria atacado as crianças que estavam na sala e a funcionária da escola. Duas meninas de menos de dois anos e a professora morreram no local. Outra criança e a funcionária morreram no hospital.

Para o delegado, trata-se de ação planejada. "O crime foi premeditado, ele chegou de bicicleta na creche, com uma mochila nas costas. Aí, uma professora o abordou e ele começou a atacá-la com golpes de facão nas costas."

A polícia ainda investiga algumas hipóteses sobre a motivação, sendo uma delas a possibilidade de o rapaz estar participando de algum tipo de desafio online. Segundo o delegado regional, Ricardo Casagrande, equipes de ao menos quatro cidades estão envolvidas na investigação.

Ao chegar à creche, o Corpo de Bombeiros encontrou o jovem já contido por populares. Segundo eles, o jovem teria tentado o suicídio, com a arma do crime. Tinha um ferimento profundo no pescoço e perguntava sobre quantas vítimas teria conseguido atingir. Ele permanece internado no Hospital Regional do Oeste em Chapecó, onde passou por uma cirurgia ontem.

Vítimas

A primeira vítima foi a professora Keli Aniecevski, de 30 anos, que tentou evitar que o jovem chegasse às salas onde estavam as crianças (mais informações nesta página) e morreu no local. Mirla Renner, de 20 anos, era agente educativa e foi atacada ao lado de quatro crianças - chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital.

A Polícia Civil ainda confirmou os óbitos de Sarah Luiza Mahle Sehn, de 1 ano e 7 meses; Murilo Massing, de 1 ano e 9 meses; e Ana Bela Fernandes de Barros, de 1 ano e 8 meses. Uma quarta criança permanecia internada ontem à noite no Hospital Regional do Oeste em Chapecó. O hospital informou que não divulgará boletins clínicos, por determinação legal.

Reação

O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), lamentou o ocorrido. "Todas as energias das forças de segurança da região devem ser empregadas no esclarecimento desse trágico episódio", afirmou no Twitter. "Minha solidariedade às famílias, à comunidade escolar e a todos os moradores da acolhedora cidade do nosso Oeste."

Em sua página oficial, a governadora em exercício Daniela Reinehr também se manifestou. "Decreto luto oficial de três dias no Estado." O time da Chapecoense, foco de uma tragédia recente, divulgou nas redes: "Nosso coração está com vocês! #FORÇASAUDADES".

O caso lembrou a tragédia de Janaúba (MG), em 5 de outubro de 2017. Naquele dia, o vigilante do Centro Infantil Municipal Gente Inocente, Damião Soares dos Santos, de 50 anos, invadiu uma sala com crianças de 3 a 7 anos, fechou a porta, lançou combustível e ateou fogo ao local e a quem estava ali. Ao todo 14 pessoas morreram, incluindo dez crianças, funcionárias e o agressor.

A professora Keli Adriane Aniecevski, de 30 anos, se prontificou a atender um estranho que apareceu na creche Pró-Infância Aquarela. Em Saudades, cidadezinha pacata no oeste de Santa Catarina, quem imaginaria uma tragédia? Pega desprevenida, foi atacada a golpes de facão e, mesmo com ferimentos graves, correu para alertar os demais sobre o agressor e tentar proteger os meninos e meninas, todos de 6 meses a 2 anos. 

Mesmo ferida, professora correu para alertar colegas

Na manhã de ontem, a professora Keli Adriane Aniecevski, de 30 anos, se prontificou a atender um estranho que apareceu na creche Pró-Infância Aquarela, onde trabalhava em Saudades, cidadezinha no oeste de Santa Catarina. Lugar pacato, quem imaginaria uma tragédia dessas? Pega desprevenida, acabou atacada a golpes de facão e, mesmo com ferimentos graves, correu para alertar os demais sobre o agressor e tentar proteger os meninos e meninas, todos de seis meses a dois anos. 

Não houve tempo sequer para receber socorro médico: a professora foi a primeira a ter morte confirmada. O massacre soma cinco vítimas até o momento. “Ela foi uma verdadeira super-heroína. Conseguiu proteger várias crianças, mas perdeu a própria vida”, diz a prima Silvana Ester Helfer, de 29 anos.

As duas eram bem amigas desde a infância, quando a família de Keli se mudou de uma área afastada para um casa mais perto do centro de Saudades, município localizado na região de Chapecó-SC. Neta mais velha, a professora era solteira, tinha um irmão e ainda morava com os pais.

Na verdade, Keli era formada em Sistemas de Informação, mas se dava bem mesmo com criança. Podia passar horas brincando ou cuidando delas, segundo a família. Tanto que conseguiu um emprego fora da sua área e virou professora da creche há mais de cinco anos.

“Eu tive uma filha, recém-nascida, que só viveu 2h30 e Keli seria a madrinha dela. Mas a nossa família nunca viveu nenhuma tragédia parecida com a de hoje”, afirma Silvana, que é mãe de outro menino. “Ele adora a tia. Na semana passada, até me perguntou quando a gente iria para a casa dela brincar.”

No seu perfil no Facebook, Keli costumava compartilhar mensagens positivas e campanhas beneficentes. Entre as ações, publicou recentemente imagens de uma visita a um lar de idosos em Pinhalzinho, cidade vizinha. Também há posts de quando deixou o cabelo crescer para doá-lo. 

“Era uma pessoa muito alegre, espontânea e carismática. De uma luz interior incrível: passava tranquilidade para todo mundo e deixava todo lugar mais feliz”, descreve Silvana, que foi para a casa dos tios, ampará-los, após o ataque. “O município inteiro está em choque.”

Com população estimada de 9,8 mil habitantes, é comum que as pessoas sejam próximas em Saudades. No entanto, a família de Keli afirma nunca ter ouvido falar do criminoso - identificado pela Polícia Civil como Fabiano Kipper Mai, de 18 anos.

Silvana conta que acordou animada na manhã da tragédia. Pôs uma música e começou a tirar as roupas da máquina de lavar, quando o telefone tocou. Era a mãe:“Filha, está sentada? É melhor sentar”. “Levei um susto. A notícia chegou como uma bomba. Keli era uma pessoa tão boa que ninguém está acreditando ainda. Não há muito o que dizer. Já tentei deitar, puxar os olhos, dizer que é mentira. Queria muito que fosse mentira.”

Ataques chocantes a escolas no Brasil

O ataque em Saudades, no oeste de Santa Catarina, ontem, não é o primeiro em escolas no Brasil. Desde 2002 casos semelhantes chamam atenção. O mais chocante, contudo, foi o massacre de Realengo, no Rio de Janeiro, que deixou 12 crianças mortas. 

Salvador (BA), 2002:

Um estudante de 17 anos matou uma colega e feriu outra a tiros no Colégio Sigma, no Bairro de Piatã. O rapaz teria pegado um revólver calibre 38 do pai e escondido a arma na mochila. Os disparos foram feitos depois que a professora pediu para ele fazer um exercício. 

Taiúva (SP), 2003:

Em 27 de janeiro, um estudante de 18 anos disparou 15 tiros contra cerca de 50 estudantes no pátio da Escola Estadual Coronel Benedito Ortiz, em Taiúva, interior do Estado. Ele usou a última bala do revólver calibre 38 para atirar na própria cabeça e morreu. O episódio não deixou vítimas fatais além do rapaz. 

São Caetano do Sul (SP), 2011:

Um estudante de apenas dez anos atirou na professora e se matou em seguida na Escola Municipal Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul, no ABC paulista. Ele usou uma arma do pai, um guarda civil municipal. De acordo com colegas e funcionários da escola ouvidos na época, o menino era muito estudioso, inteligente e calmo. 

Realengo (RJ), 2011:

Considerado à época como o maior massacre em escolas brasileiras até então, a tragédia em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, deixou 12 crianças mortas. O crime foi cometido por um ex-aluno de 23 anos que levou dois revólveres à Escola Municipal Tasso da Silveira e disparou contra os alunos, todos de 13 a 15 anos. Depois de invadir duas salas de aula, ele foi atingido na barriga pela polícia e disparou um tiro na própria cabeça.

João Pessoa (PB), 2012:

Dois jovens chegaram à Escola Estadual Enéas Carvalho, em Santa Rita (Região Metropolitana de João Pessoa), em uma moto e invadiram o pátio. Eles usavam uniforme da escola. Um deles atirou contra um adolescente de 15 anos. O atirador disparou outras cinco vezes, atingindo duas garotas. Uma delas, de 17 anos, foi baleada no braço direito. A outra, levou um tiro no pé esquerdo. De acordo com a polícia, o motivo do crime teria sido ciúme. 

Goiânia (GO), 2017:

Um adolescente de 14 anos matou a tiros dois colegas e feriu outros quatro em uma sala de aula do Colégio Goyases, em Goiânia, em 20 de outubro de 2017. Filho de policiais militares, ele usou a arma da mãe, que havia levado à escola particular escondida na mochila. Segundo a Polícia Civil, o rapaz sofria bullying e o crime foi premeditado.

Medianeira (PR), 2018:

Um estudante de 15 anos do ensino médio pegou uma arma e atirou nos colegas em uma escola estadual da pacata cidade de Medianeira, a 60 quilômetros de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. Tinha uma lista para livrar os amigos - no fim, dois acabaram baleados. O atentado aconteceu no Colégio Estadual João Manoel Mondrone. Segundo a polícia, o autor do ataque seria alvo de bullying na escola.

Suzano (SP), 2019:

Um ataque na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, deixou dez mortos, incluindo os dois atiradores, e 11 feridos. Os autores do massacre, Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, e G.T.M., de 17, eram ex-alunos da instituição. Um dos atiradores acabou matando o comparsa e depois cometeu suicídio.

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