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Postada em 03/06/2021 ás 10h55
Fonte: Com informações do Portal G1

Prédio desaba em Rio das Pedras, na Zona Oeste do RJ

As causas do desabamento são desconhecidas.
Prédio desaba em Rio das Pedras, na Zona Oeste do RJ
Foto: Reprodução / TV Globo

Um prédio de quatro andares localizado em Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio de Janeiro, desabou na madrugada desta quinta-feira (3). Uma criança morreu, quatro adultos foram resgatados com vida e, até as 10h20, uma pessoa ainda era procurada em meio aos escombros.

A morte da criança foi confirmada pelo comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Leandro Monteiro, por volta das 10h20, cerca de sete horas após o desabamento. Segundo ele, trata-se de uma menina de aproximadamente três anos de idade.

"Ainda há pouco retiramos uma criança, não se sabe a idade, de aproximadamente entre2 e 3 anos, uma criança feminina, sem vida, que foi removida agora para o Instituto Médico-Legal", e a informação que nós temos é que ainda há uma vítima adulta, masculina, de aproximadamente 30 anos, disse o coronel.

O comandante dos bombeiros disse que ainda não era possível informar se o homem desaparecido ainda estava vivo. Ele enfatizou que a busca era feita com muita cautela, com a ajuda de cães farejadores, "porque corre risco de outro desabamento".

Outras quatro pessoas haviam sido resgatadas com vida, uma delas após mais de seis horas sob os escombros.

O prédio que desabou fica na Rua das Uvas, esquina com Avenida Areinhas. Ruas no entorno foram interditadas para os trabalhos de resgate.

 

O que se sabe até agora:

- Prédio de 4 andares desabou por volta das 3h20;

- Testemunhas disseram que estalos da estrutura começaram por volta das 2h;

- Criança do sexo feminino, de aproximadamente 3 anos, foi encontrada morta;

- Quatro pessoas foram socorridas com vida e levadas ao hospital;

- Quarta pessoa a ser resgatada passou 6h sob os escombros;

- Ao menos um homem seguia sendo procurado pelos bombeiros;

- Defesa Civil avalia danos em quatro imóveis vizinhos ao que desabou;

 

Três vítimas foram resgatadas na madrugada. Uma quarta vítima foi retirada dos escombros por volta das 9h20, seis horas após o desabamento. Até então, os bombeiros trabalhavam com a hipótese de três pessoas soterradas - uma mulher, um homem e uma criança.

 

Quem são as vítimas:

- Nataniela de Souza Gomes - 28 anos

- Antônia Tatiana Conrado de Souza - 38 anos

- Jonas Rodrigues de Souza - 29 anos

- Chiara Abreu, 27 anos

 

Inicialmente, o Corpo de Bombeiros havia falado em 12 pessoas resgatadas. A informação foi atualizada no começo da manhã pelo comandante da corporação, coronel Leandro Monteiro, que confirmou o resgate de apenas três vítimas na madrugada e que pelo menos outras três estariam sob escombros aguardando o resgate.

"O que posso afirmar é que estamos em contato direto com uma vítima feminina. O local é de difícil acesso, de risco para os bombeiros - eles estão trabalhando sob os escombros e equipados com equipamento de segurança individual. É um trabalho de muita calma, muita paciência, nossos cães estão nos ajudando bastante. Estamos lidando com informações diferentes a cada momento. Localizamos uma vítima feminina e ela afirma que há mais duas vítimas", afirmou o comandante dos bombeiros.

Segundo o coronel, seis ambulâncias foram enviadas ao local e uma aeronave da corporação ficou de prontidão nas imediações. Ao todo, 112 bombeiros estão envolvidos nos trabalhos de busca e resgate.

"A maior dificuldade é conscientizar os moradores dos prédios vizinhos a deixarem suas casas e seguirem para um local seguro", enfatizou.

A Defesa Civil está no local e os técnicos avaliam os danos que foram causados em outros quatro imóveis, vizinhos ao que desabou - um ao lado direito e três em frente.

Equipes de três quartéis do Corpo de Bombeiros - Barra da Tijuca, Alto da Boa Vista e Jacarepaguá - trabalham no local à procura de vítimas. Equipes da Assistência Social, Defesa Civil e Guarda Municipal também foram deslocados para a região.

Moradores de imóveis vizinhos disseram que começaram a ouvir estalos por volta de 2h e o imóvel ruiu por volta de 3h20. Também relataram que, após o desabamento, houve um incêndio no local. O fogo foi controlado pelos bombeiros.

"Eu pensei que era o transformador que tinha estourado, mas não. Depois que todo mundo desceu chorando e gritando aí a gente veio pra rua e viu que o prédio desabou", contou uma moradora da região que se identificou como Luciana.

Moradores também relataram que um outro imóvel, onde funcionaria uma lan house, foi afetado no momento do desabamento e o estabelecimento estaria lotado de jovens. Uma testemunha, porém, afirmou que todos foram retirados do local sem ferimentos.

 

Região de imóveis irregulares

Até as 8h40 não havia confirmação se o prédio havia sido construído de forma regular. Todavia, a subprefeitura de Jacarepaguá Talita Galhardo disse que, possivelmente, a construção era irregular.

"Eu não vou afirmar isso agora, mas é muito provável que não estivesse [regular] mesmo. Porque todas as construções do entorno, inclusive as que estão correndo risco, tem muitas que não têm nenhum tipo de licença, não tem nada", disse a subprefeita.

De acordo com a prefeitura, 75% dos imóveis irregulares demolidos na cidade entre 2019 e 2020 ficavam na Zona Oeste.

 

'Berço' das milícias

Rio das Pedras é considerado o berço da milícia no país. A região habitada em sua maioria por retirantes nordestinos, ainda nos anos de 1960, se protegeu como pode dos avanços das facções de narcotraficantes que começaram a dominar territórios duas décadas mais tarde.

A região resistiu a guerras sangrentas e viu surgir a falsa proteção de grupos paramilitares que prometiam a tranquilidade que moradores não teriam em favelas onde drogas eram vendidas.

Um dos fundadores da milícia na região foi o inspetor de polícia Félix Tostes. Tostes foi morto em 2007 com mais de 30 tiros. Na época, quem assumiu o comando da miliciana região foi o vereador Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho de Rio das Pedras, que foi acusado pelo morte de Félix. Nadinho foi assassinado dois anos depois.

 

Há 2 anos, 24 mortos em desabamento de prédios irregulares

Em abril de 2019, 24 pessoas morreram no desabamento de dois prédios na Muzema, bairro vizinho ao Rio das Pedras, que haviam sido construídos de forma irregular, supostamente por milicianos que atuam na região.

Três homens que haviam sido presos acusados como responsáveis pela tragédia foram soltos pelo Tribunal de Justiça no mês passado. A decisão foi assinada pela juíza Simone de Faria Ferraz, que considerou haver 'excesso de prazo na custódia' do trio e determinou que eles aguardem o julgamento em liberdade.

Os três réus são José Bezerra de Lira, Rafael Gomes da Costa e Renato Siqueira Ribeiro. A juíza determinou que eles informem, mensalmente, seus paradeiros à Justiça. Eles também não poderão ter contato com nenhuma das testemunhas do processo.

As investigações apontaram que os três têm envolvimento com milícias. José Bezerra de Lira, conhecido como Zé do Rolo, foi apontado pelos investigadores como o líder do grupo responsável por vender apartamentos nos prédios que caíram.

Zé do Rolo foi preso em setembro de 2019 após ser encontrado no Sertão de Pernambuco, em um sítio na região de Afogados da Ingazeira, no Alto Pajeú.

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