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Postada em 28/06/2021 ás 11h58 - atualizada em 01/07/2021 ás 12h44

Nos embalos do Forró: Cidade Junina realça a representatividade do ritmo que cativa épocas

O gênero conta com matrizes e uma historicidade que pode ganhar título de “patrimônio imaterial” do Brasil.

Quando se pensa em brasilidade, regionalidade e em dança, um dos primeiros ritmos que rapidamente nos vem em mente é o Forró. E apesar de o Dia Nacional do Forró ser comemorado dia 13 de dezembro, o mês que é “a cara” do gênero musical cativo no coração da cultura popular nordestina, é o mês de junho. Pensando em sempre dar visibilidade às tradições do nordeste, a Cidade Junina visa ser palco para a fomentação da cultura no estado por meio da música, dança e cores.

 

O forró é um ritmo musical muito conhecido no nordeste brasileiro, e ganha ainda mais destaque nos períodos de festividades juninas. Os artistas desse gênero tentaram contar a vida do homem sertanejo e a alegria do povo do sertão brasileiro em suas músicas.

De acordo com pesquisadores, o forró se originou no século XIX. Esse gênero musical possui influência de ritmos africanos e europeus, e possui forte relação com o xaxado, xote e baião. Há muitas hipóteses sobre a origem do nome: o historiador e folclorista Câmara Cascudo sugere que o termo mais provável seja uma derivação do termo "forrobodó". Tal termo, por sua vez é uma variante galego-portuguesa do antigo vocábulo forbodó, originado a partir da palavra francesa faux-bourdon, que pode significar "desentoação". Outra suposição é que tal nome teria sido criado a partir de uma expressão inglesa “for all”, que quer dizer "para todos" em português, dando uma ideia também de um ritmo completamente para todos e de todos.

Foto: Vagner Ribeiro

O músico e pesquisador, Vagner Ribeiro fala sobre a importância do ritmo para a cultura do país e compara o estilo musical a um grande guarda-chuva. “O forro é como um grande guarda-chuva onde cabem vários ritmos dentro dessa matriz. Desses ritmos, os mais conhecidos e divulgados são o baião, o xote, o xaxado, o arrasta pé, ou outros que mudam de nome de acordo com a região. Aqui no Piauí mesmo, temos o baião chamado de “Pagode do Amarante”. Então tudo isso vem do forrobodó, ou seja, uma espécie de opereta popular onde as pessoas se veem realmente representadas, no qual pessoas se divertem, dançam, tocam. Ele vai além do ritmo, é um adjutório, onde o povo se reúne e se sente pertencente a uma cultura”, pontua.

 

Vagner também comenta as muitas manifestações e meios de representatividades do forró. Uma delas, as festas juninas que reúnem a música, a dança e muitas vezes até ritos religiosos. “É uma música essencialmente participativa, com envolvimento corporal quando pensamos em dança. Muitas dessas características vêm do rural e religioso, como por exemplo a Roda de São Gonçalo e o Reizado. Portanto, eu destacaria todas essas manifestações como fruto da popularidade, de pessoas convivendo. De danças comunitárias nas quais pessoas dançam em círculos (cordões) e vão fazendo uma evolução, se cumprimentando, com a dama cumprimentando o cavalheiro, a grande roda...onde todos encontram todos. É muito interessante esse tipo de dança circular, onde não há hierarquia e todos passam pelo mesmo lugar e se encontram. E o forró é isso:  ele faz com que todos se sentiam dentro da dança”, conclui o professor de música.

 

No ritmo da sanfona

Com o seu ritmo forrozeiro, artistas conseguem animar qualquer festa. A onda de alegria, movimento e ritmo embala festas em todo o país até os dias atuais. A paixão pela música também contribuiu para o surgimento de muitas bandas de forró e amantes do ritmo. Como por exemplo, o caso do Leonardo Carvalho, vocalista da banda de Xenhenhem.

O cantor conta que sua paixão pelo forró se iniciou ainda na infância enquanto ouvia rádio e passava férias no interior da família, mas que o trabalho com a banda começou em 2003. “Inicialmente a minha intenção era aprender a tocar sanfona. Eu tive uma inspiração quando tinha uns 20 anos, mas sempre quis aprender, não pensava em banda e em seguir carreira. Era só a vontade de tocar, pois percebi que quando se tem uma sanfona as pessoas se reúnem em torno dela, é como se fosse um imã natural, para nós do nordeste. Então isso me fascinou e me fez procurar e estudar a sanfona. A banda foi só consequência”, relata Leonardo.

Foto: Leonardo Carvalho

O cantor fala sobre a sua relação as festas de interior, o São João e seus shows. “O forró é para a cultura nordestina extremamente importante. Faz parte dos costumes nordestinos, significa a nossa alegria, regionalismo, das belezas, é o ‘xenhenhem’...a dança é extremamente isso. E minha relação com o forró é de gratidão, pois através dele eu posso chegar nas pessoas e participar momentos alegres. Principalmente no interior, lá o sanfoneiro é um astro. E vejo as festas juninas como um momento de coroamento do sentimento de alegria do povo nordestino”, conta Leonardo, vocalista da banda Xenhenhem.

 

Forró e dança

Além das comidas típicas e brincadeiras juninas, é no famoso "dois para lá e dois para cá" que muita gente dá voltas no salão e curte o São João a noite inteira. E tudo isso ao sm de um bom forrozinho. Vale ressaltar que, além da animação, a dança do forró proporciona benefícios para a saúde, de forma a fortalecer os músculos - do abdômen, das pernas e dos glúteos - e reduzir calorias. Em geral, é possível queimar mais ou menos 200 calorias. Isso mesmo!

E é justamente essa junção de traços e elementos que confere ao ritmo uma magia sonora de encanto para o público e também para quem vive do gênero na pele – ou melhor, na ponta dos pés. É o caso da estudante de educação física e professora de dança, Jéssica Castro. Ela conta que apesar de amar sua área de graduação, é na dança que se encontra cada dia mais imersa.

Jéssica conta como foi seus primeiros contatos com o ritmo musical. “Tudo iniciou em 2018. Eu que busquei o forró e isso se deu como forma de melhorar minha saúde tanto física quanto mental. Pois naquela época eu vivia uma crise muito grande de ansiedade. E foi aí que entrei no forró. Ante disso, fui bailaria clássica por quatro anos, mas mesmo com a afinidade com a dança, foi um novo e grande desfio dançar forró. Entrei para um projeto social no bairro onde moro chamado "Vem Dançar Forró" e meu amor pela dança em si, nasceu dentro desse projeto. Trabalhamos o cultural, as tradições. Hoje trabalho messe projeto, mas também estou iniciando um projeto de dança que é voltada principalmente ao público feminino, denominado ‘Dona da Dança’”, conta a professora de dança.

Com o aumento da popularidade do forró, esse estilo musical se tornou ainda mais forte na cultura e na história do país. Inclusive, muitas pessoas buscam fazer curso de dança para aprender dançar forro. Jéssica conta que vê nas aulas a oportunidade de fazer novas amizades e um momento terapêutico. Ela conta também que participou de quadrilhas juninas e se apresentou na Cidade Junina.

A pandemia afetou a comemoração de diversas datas importantes no calendário do brasileiro. Contudo, muitos amantes dos festejos juninos encontraram nesse momento, um meio de se reinventar e viver o período mais aguardado do ano. “O forró tem uma importância grande na minha vida. Foi um momento de transição. E atualmente tem sido um grande desafio. Estamos com dificuldade de manter as aulas, manter os alunos nas aulas porque o forró é uma dança que exige o contato, não que seja obrigatório, mas é uma dança em dupla. E também tem a parte do controle e do acompanhamento e pelo ensino remoto isso fica muito difícil. Voltamos recentemente com nossas aulas presenciais, respeitando todos os protocolos”, pontua.

 

A jovem professora de 21 anos conta que sua relação também vem de família e com instrumentos musicais, e relembra os bons momentos onde seu pai toca zabumba e ela triângulo. “O que eu sinto pelo forró as vezes é complicado expressar verbalmente. Me expresso realmente é dançando, e quando danço o tempo para. Não existe problema, nada negativo. Tudo lindo, perfeito. É o meu momento. Pra mim forró é tudo”, finaliza a dançarina que agita os salões. 

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