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Postada em 18/10/2019 ás 11h08 - atualizada em 18/10/2019 ás 11h23

Combate à venda casada no crédito agrícola vai reduzir custo para produtor e melhorar competitividade, diz ministra Tereza Cristina

Acordo firmado entre Mapa, Ministério da Justiça e Segurança Pública e associações de classe cria canais para produtor rural fazer denúncia anônima da prática abusiva
Combate à venda casada no crédito agrícola vai reduzir custo para produtor e melhorar competitividade, diz ministra Tereza Cristina
Ministra Tereza Cristina e ministro Sergio Moro assinam acordo de cooperação técnica para combater venda casada no crédito agrícola - Guilherme Martimon/Mapa

A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA) e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, assinaram nesta quarta-feira (16) o acordo de cooperação técnica com o objetivo de prevenir a ocorrência da chamada “venda casada” no momento que o produtor rural toma financiamento agrícola nos bancos.

Na cerimônia de assinatura, na sede do MAPA, a ministra destacou que a medida era esperada há anos pelo produtor rural brasileiro. De acordo com Tereza Cristina, apesar de a legislação já prever medidas contra a venda casada (prática considerada abusiva), o agricultor se sente constrangido a adquirir outros produtos financeiros para conseguir ter acesso ao crédito com taxa de juros subvencionada. 

A ministra ressaltou que o combate à venda casada significará redução de custo para o produtor e melhoria da competitividade do agro brasileiro. "Uma coisa é você comprar título de capitalização, seguro. Outra coisa é tomar recursos que o Poder Público equaliza o valor para diminuir a taxa de juros, mas vem a venda casada que intimida e aumenta o custo porque em vez de estar pagando 6%,7%, 8%, ele [produtor] tem de comprar isso e acaba aumentando seu custo para 10%, 12%, 14%", disse. 

A equalização de juros foi estabelecida para proporcionar taxas de juros e condições de pagamento mais acessíveis ao produtor rural, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento das atividades agropecuárias do país. Neste ano, o governo federal disponibilizou R$ 10 bilhões para subvencionar os juros dentro das linhas de financiamento do Plano Safra 2019/2020.

"Não podemos ter aqui travas que inibam o produtor rural. O agronegócio, os números estão aí para provar, é o motor da nossa economia. Com estas pequenas coisas que a gente vem fazendo nesses 10 meses de governo, facilitando, diminuindo custos, tirando esse custo embutido, é que nós vamos fazer a agropecuária brasileira cada vez mais competitiva e mais sustentável para o mundo", acrescentou. 

O ministro Sergio Moro disse que a ideia é proteger a livre escolha do produtor. Moro pediu que os produtores denunciem a prática para que o governo federal saiba a dimensão do problema e possa adotar as medidas adequadas. "Esta é uma iniciativa simples que visa proteger o produtor rural de práticas abusivas quando ele está na condição de consumidor de crédito. Ao mesmo tempo, franquear a plataforma consumidor.gov.br para buscar soluções de conflitos”, disse.

Ministro Sergio Moro discursa na cerimônia de assinatura de acordo de cooperação para combater venda casada no crédito agrícola - Foto: Guilherme Martimon/Mapa
Ministro Sergio Moro discursa na cerimônia de assinatura de acordo de cooperação para combater venda casada no crédito agrícola - Foto: Guilherme Martimon/Mapa

Segundo José Ângelo Mazzillo Júnior, secretário adjunto da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, há incontáveis relatos de que os bancos exigem a contratação de produtos financeiros, como títulos de capitalização, consórcios, seguros e manutenção de depósitos a prazo, para que o produtor tenha acesso ao financiamento. Ele explicou que o acordo de cooperação, com duração de dois anos, terá duas etapas: aferir a extensão do problema e adotar as ações coercitivas saneadoras. 

Além de melhorias no site, o acordo prevê a instituição de novos canais para que o produtor possa fazer denúncias anônimas por meio das associações de classe. Conforme relatos, muitos não denunciam a venda casada por receio de serem impedidos de pegar empréstimos. 

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) assinaram como signatárias do acordo e vão disponibilizar mecanismos dos produtores fazerem as denúncias sem serem identificados. 

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