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Nazária

Por Redação
Postada em 13/01/2021 ás 09h46

Pesquisa inédita da UFPI descobre nova espécie de réptil da Era Paleozoica em Nazária

É o terceiro fóssil de réptil descoberto na região de Nazária e o primeiro a ser considerado uma espécie nova.
Pesquisa inédita da UFPI descobre nova espécie de réptil da Era Paleozoica em Nazária
Karutia fortunata, 25cm de comprimento e se alimentava de insetos. Foto: Divulgação

Uma pesquisa inédita feita na Universidade Federal do Piauí (UFPI), em parceria com seis universidades internacionais, revelou uma nova espécie pertencente a um grupo de répteis conhecidos como “pararrépteis”. É o terceiro fóssil de réptil descoberto na região de Nazária e o primeiro a ser considerado uma espécie nova.

A Karutia fortunata é um parente muito distante dos lagartos e dos crocodilos, mas pertencentes a um grupo extinto, pois não deixaram descendentes nos dias de hoje. O Paleontólogo Juan Cisneros da UFPI, explica que é um réptil pequeno e parecido por fora com um calango, que media uns 25 centímetros de comprimento e se alimentava de insetos.

Silhueta do fossíl pertecente a um grupo de répteis conhecidos como “pararrépteis”. Foto: Divulgação

“Karutia em língua timbira significa pele enrugada e com caroços. Escolhemos esse nome porque os ossos do crânio do animal estão cobertos por muitas rugas naturais. Fortunata refere-se a que foi uma descoberta afortunada, pois o esqueleto foi encontrado graças a um pneu furado que fez com que a nossa equipe tivesse que ficar mais tempo no local, o qual resultou na descoberta desse fóssil”, explica Cisneros.

A Karutia fortunata viveu aproximadamente 280 milhões de anos, no Período Permiano da Era Paleozoica, e é mais antigo que os dinossauros. “Viveu ao mesmo tempo que a Floresta Fóssil do Rio Poti em Teresina e habitou nela”, disse. Ainda de acordo com paleontólogo, Karutia tinha parentes próximos nos EUA. “Isso nos ajudam a entender melhor as relações entre a fauna brasileira e a fauna dos EUA numa época em que os continentes estavam unidos, formando o supercontinente de Pangeia”.

Paleontólogos na pedreira em Nazária. Foto: Divulgação

A nova espécie contribui para revelar o planeta há 542 a 251 milhões de anos. “Ele nos ajuda a reconstruir as relações ecológicas do final da Era Paleozoica e através dele temos um panorama mais completo do Brasil nesse tempo".

Desde 2016, os pesquisadores estudam a coleção de fósseis encontrados no município e que atualmente estão depositados no Museu de Arqueologia e Paleontologia da UFPI.

As várias partes do corpo do fóssil, dentre eles: ossos do crânio, da mandíbula, vértebras, e de outras partes do esqueleto, foram analisadas e estudadas por uma equipe liderada por Juan Cisneros, diretor do Museu de Arqueologia e Paleontologia da UFPI, em conjunto com uma equipe internacional de paleontólogos das seguintes instituições: Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte (EUA), Museu Field de Chicago (EUA), Museu Iziko (África do Sul), Universidade de Buenos Aires (Argentina), Universidade Humboldt (Alemanha), Museu de História Natural (Reino Unido).

O estudo sobre o fóssil do Karutia fortunata foi apresentado recentemente na revista Journal of Systematic Palaeontology, considerada referência na área da Paleontologia. “Este estudo fortalece as pesquisas paleontológicas feitas pela UFPI e foi possível graças ao apoio do CNPq e da prefeitura de Nazária”, finaliza.

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