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Postada em 08/04/2021 ás 17h12 - atualizada em 09/04/2021 ás 09h03

Butanvac: saiba mais sobre essa tecnologia e como ela pode ser importante no combate à Covid-19

Especialistas explicam melhor todos os pontos que envolvem a tecnologia usada na sua fabricação e como isso beneficiará o país.
Foto: Reprodução

Desde o início da pandemia uma “corrida de ouro” se iniciou em todo um mundo: foi dada a largada na realização de pesquisas e produção da tão sonhada vacina contra a Covid-19. Até o momento, alguns países já desenvolveram vacinas com eficácia comprovada que já o mundo.  No Brasil, a vacinação contra a Covid-19 começou em janeiro, mas ganhou mais força apenas em março.

O fato é: atualmente, mesmo com questionamentos, a principal forma de conter a disseminação do novo coronavírus é tomando a vacina. É por meio dela que o indivíduo consegue gerar anticorpos no organismo, combatendo a doença e freando seu avanço.

No último dia 26 de março, o Instituto Butantan desenvolveu uma nova fórmula de vacina contra a Covid-19: a vacina Butanvac. Mesmo com imunizantes de farmacêuticas renomadas e de eficácia comprovada contra a Covid-19, já em aplicação no Brasil, especialistas afirmam ser essencial que o país tenha uma vacina nacional.

Para esclarecer as dúvidas sobre a Butanvac e sua principal importância no enfrentamento do novo coronavírus, nós do Portal Clube Notícias entrevistamos algumas especialistas sobre o assunto. Confira!

 

O que se sabe sobre a Butanvac?

A vacina terá toda a sua produção realizada no Brasil e vai utilizar a mesma tecnologia usada na vacina da gripe, que já é feita pelo instituto Butantan. Larissa Brussa é biotecnologista e especialista em biologia molecular, e atualmente trabalha com divulgações científicas pelas redes de análise Covid-19, e coordena também o movimento Biotecnologia Brasil. Segundo ela, o Butantan já tem experiência no desenvolvimento de vacinas com esse tipo de tecnologia.

“Sabemos que a tecnologia é por meio da combinação de vacina inativada e vetor viral. As cepas são cultivadas em ovos de galinha, resultando em doses de vacinas inativadas, feitas com fragmentos de vírus mortos. A Butanvac é produzida a partir de um vetor que foi desenvolvido nos EUA, cuja a farmacêutica deixou essa tecnologia com os royalties free, ou seja, ela não está cobrando pela patente da tecnologia. E o Butantan pegou essa tecnologia e trouxe para essa vacina da Butanvac, o que é muito legal, tendo em vista que o instituto já tem experiência com vacina em ovos embrionários, como por exemplo, a da vacina do H1N1”, comenta.

Segundo informações do presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, o desenvolvimento do imunizante teve início há um ano. A tecnologia apresentada como base da vacina Butanvac foi criada em 2020 por pesquisadores do Instituto Mount Sinai, de Nova York (EUA). O Butantan diz que a concepção da tecnologia não é do Brasil, mas a produção será 100% nacional. O Mount Sinai, segundo o instituto de São Paulo, é parceiro no projeto da Butanvac. Ainda segundo o Butantan, os testes clínicos com a vacina produzida pelo Instituto devem ter início em abril, mas apenas após aprovação da Anvisa. Outra informação divulgada, é que a Butanvac leva em conta a variante P1 encontrada em Manaus.

 

Benefícios à campanha de vacinação

Especialistas afirmam que a produção nacional de uma vacina contra a Covid-19 é essencial. O desenvolvimento do imunizante no Brasil será benéfico tanto no barateamento dos custos, quanto na disponibilização de vacinas de forma mais ampla e barata., acelerando assim, o acesso da população à vacina.

Mellanie Fontes-Dutra de 28 anos é uma biomédica nascida em Aracaju, capital do Sergipe. Nordestina de raiz, mas que cresceu nas terras gaúchas e desde então, tornou-se filha dessas duas terras. Durante a pandemia ela teve também que se reinventar e deixar de lado os laboratórios, ganhando espaço na publicação de pesquisas e análises nas redes sociais. Para Mellanie após aprovação da Anvisa e com dados clínicos seguros, a Butanvac tem grande potencial de imunização no Brasil.

“Vejo um que essa vacina tem um imenso potencial de somar nas nossas campanhas de vacinação especialmente pela agilidade em sua fabricação aqui no país, a partir de uma instituição que pode realizar todo o processo, bem como por conter informações importantes da variante P.1, o que soma bastante no enfrentamento à Covid”, conta.

Larissa Brussa estima que apesar dos esforços, a Butanvac somente terá sua atuação no final de 2021. “Os testes clínicos levam um tempo para serem realizados. Mas vejo que sim, é provável que façamos uso da Butanvac caso seja aprovada pela Anvisa, principalmente aqueles grupos que não estão sendo contemplados no momento, como os jovens saudáveis”, diz a biotecnologista.

Outro pronto positivo na produção nacional de um imunizante, é o fato de já obter essa tecnologia de vacinas antivirais, podendo servir para a proteção contra outras pandemias e epidemias que possam vir a surgir.

 “Sabemos que cada vem mais o meio ambiente vem sendo degradado, principalmente o dos animais silvestres que são reservatórios naturais desses tipos de vírus. Essa invasão que está ocorrendo nos deixa cada vez mais próximo desses animais e consequentemente aumenta a probabilidade de termos outros vírus circulando. Então, ter uma vacina aqui com uma tecnologia que possa se adaptar a outros vírus e prováveis epidemias, é muito interessante”, afirma Larissa.

 

Outros Projetos

Atualmente, o Brasil tem pelo menos 11 projetos de candidatas a vacina contra a Covid-19. Todas as pesquisas estão sendo desenvolvidas em universidades e instituições de pesquisa públicas do país.

Ambos estão em fase inicial de pesquisa, portanto, não há previsão de que entrem em testes com humanos ou de que tenham seus estudos concluídos antes das candidatas estrangeiras que já passam por ensaios clínicos no país.

As barreiras são muitas: desde a dificuldade do acesso a parte da tecnologia necessária até a falta de vontade política; assim como a falta de parcerias com a iniciativa privada e investidores nessas pesquisas. Mas quais são eas?

Os 11 projetos têm participação de carca de 9 instituições de pesquisa nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná:

- Instituto Butantan (SP): 3 projetos + 1 - Este último é desenvolvido em parceria com a Fiocruz em Minas Gerais, a UFMG e o Instituto de Ciência e Tecnologia de Vacinas (INCTV), também em Minas. Também tem participação do Instituto de Ciências Biomédicas e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, ambos ligados à USP;

- Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP: 3 projetos;

- Fiocruz/Manguinhos (RJ): 2 projetos;

- Universidade Federal do Paraná (UFPR): 1 projeto;

 

- Instituto do Coração (Incor) da USP: 1 projeto.

 

Pandemia e Fake News

Aos 28 anos, a biomédica Mellanie Fontes-Dutra foi considerada, segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD) e pela Science Pulse, como uma das 5 principais influenciadoras sobre covid-19 em 2020. Mellanie é a pós-doutoranda em bioquímica pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é também mestre e doutora em Neurociências pela mesma universidade.

Mas em 2020, além de dar um show nos laboratórios, a biomédica conquistou espaço nas redes sociais dedicando-se a combater a desinformação e notícias falsas sobre coronavírus. Muito desse destaque se deu não só pela experiência e pelo conhecimento, e sim, pela forma autentica de expor suas pesquisas.

Foto: Mellanie Fontes-Dutra/Reprodução

“Eu sempre tive um fascínio e prazer em ensinar e aprender. Sou professora de ensino médio, já dei aulas no ensino fundamental, superior, pós-graduação, eu tenho uma paixão imensa pelo ensino. E a divulgação científica me encantou justamente pela possibilidade dessa troca com as pessoas. Nunca fiz divulgação focando em algum objetivo além de estabelecer esses vínculos com as pessoas e partilhar conhecimentos. Para mim, é muito gratificante receber esse reconhecimento, algo que nunca imaginei que aconteceria comigo, porque realmente nunca foi meu objetivo fazer esperando por algo assim. A gente faz porque sabe que é importante e porque o conhecimento é transformador. Transforma minha vida e transformará a vida de muitas pessoas. É muito legal também ver tanta mulher incrível na ciência e na divulgação científica. Um dos meus grandes objetivos é poder proporcionar um auxílio para essa entrada das meninas na ciência, algo que foi difícil para mim quando eu era mais nova. O protagonismo das mulheres na ciência e na divulgação é algo inspirador”, conta Mellanie.

 
 
 
 
 
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Quando questionada sobre a grande disseminação de notícias fakes na internet e meios de comunicação, Mallanie Fonte-Dutra diz que um dos grandes desafios da divulgação científica é levar a informação de forma acessível, mantendo a qualidade e o rigor com a informação científica.

“Acredito que estamos construindo um caminho para trilhar essa jornada de uma forma mais assertiva, com mais e mais pessoas entrando na divulgação e somando nesse esforço, mas temos aí muitas redes de desinformação. A pessoa que não tem uma familiaridade tão grande com a ciência e seus métodos de investigar, pode se deparar com essas narrativas desinformativas e acabar sendo seduzida por essas armadilhas. Estamos numa situação instável, insegura em que as pessoas buscam por soluções. Falsas curas, falsas promessas podem achar um espaço nesse cenário para se propagar. Por isso é tão relevante, na minha opinião, levar não só a informação para as pessoas, mas fazê-las entender como a gente chega nelas”, pontua.

Larissa Brussa também trabalha com a divulgação científica de análises sobre a Covid-19, e diz ver que as fakes news muitas vezes encontram terreno fértil na preguiça na hora da busca de informação e no negacionismo. “Vejo um pouco de preguiça de procurar informações corretas em muitas pessoas. Hoje as tecnologias nos permitem ter acesso a informações, inclusive as corretas, como no caso das que fazemos como divulgadora científica.

Mas acho que falta um pouco de emprenho da população em buscar as informações corretas, pois muitas vezes as informações corretas não são as que as pessoas querem ouvir. Falamos ‘fica em casa’, ‘mantenha o distanciamento’, ‘use máscara’ e as pessoas não querem isso. Então, elas buscam por notícias falsas que possam suprir essa carência que elas têm de uma informação que seja o que elas querem ouvir. Portanto, nessa ânsia de querer a vida igual como era antes, as pessoas acabam buscando ou recebido informação falsas que falam mais parecido com o quelas quem ouvir e repassam isso como verdade.  É essa barreira dificuldade de rompera a barreira de negacionismo, do egoísmo e da preguiça por não buscar informação, é um grandes desafios que temos ainda para combater”, finaliza a pesquisadora.

 
 
 
 
 
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