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Postada em 17/05/2021 ás 14h37

Endometriose: quando as dores vão além do corpo

Caracterizada, principalmente pela intensa dor pélvica, a endometriose é uma doença crônica e que também traz graves sequelas emocionais.
Foto: Reprodução

Caracterizada, principalmente pela intensa dor pélvica, a endometriose é uma doença crônica e que também traz graves sequelas emocionais. Essa doença está presente na vida de muitas brasileiras em idade reprodutiva – ou seja, entre os 15 a 45 anos -, a endometriose afeta cerca de 6,5 milhões de mulheres no Brasil e 176 milhões em todo o mundo, de acordo com levantamento feito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em 2020.

 

A ginecologista Keliany Duarte explica a diferença entre uma cólica comum e sintomas de endometriose. “É preciso saber que a endometriose não tem cura, e sim, controle. Tudo depende da extensão da doença. A maioria das mulheres é sintomática, e a principal queixa são as fortes dores. Não são cólicas comuns, elas são intensas e chegam a incapacitar essa mulher de trabalhar, fazer tarefas diárias, estudar e etc. Muitas têm de ir ao hospital tomar medicação na veia principalmente durante o ciclo menstrual de todo mês, que é quando as dores aumentam”, conta a médica.

A endometriose acontece quando o tecido endometrial (camada interna do útero) passa a existir em outros locais/órgãos do corpo; no qual em muitos casos se estende para ovários, intestino, bexiga, entre outros.  

A professora Marilia Oliveira é uma entre tantas mulheres que teve o diagnóstico de endometriose. "Eu comecei a ter cólicas muito intensas nos primeiros dias do ciclo menstrual. Não um desconforto qualquer, mas dores na barriga que dificultavam as atividades do meu cotidiano. Diante do aumento das dores, a minha ginecologista indicou fazer um ultrassom transvaginal com uma especialista em endometriose, e então, foi diagnosticada essa condição."

A dra. Keliany Duarte conta que o diagnóstico pode demorar em alguns casos. “Para achar um diagnóstico, tem que se cogitar ele. Em muitos casos, a endometriose não é pensada de primeira. De acordo com dados que temos, em média se demora sete anos para chegar no diagnóstico de endometriose. Com isso, a mulher sofre muitos anos com dores. Isso afeta não só o físico, mas também o emocional”, pontua a ginecologista.

Existem também os casos que levam a mulher à cirurgia. Por isso a importância de estar atenta aos sinais que o corpo dá e não os ignorar, buscando a avaliação e opinião de um(a) especialista. “O tratamento depende muito da mulher, cada caso é um caso. O importante é deixar essa mulher “bloqueada”, ou seja, fazer com que ela não menstrue, pois os focos do endométrio respondem ao estrogênio que é o hormônio feminino. Com isso, nosso trabalho é baixar o nível do estrogênio. Podemos dizer que há uma cura mais efetiva apenas quando a mulher atinge a menopausa e para de menstruar. Há várias formas de bloquear essa mulher: através de do DIU com hormônio, anticoncepcional, injeções com hormonais e as veze até com tratamento cirúrgico, como no caso de acometimento da bexiga, intestino e fortes dores”, relata.

Foto: Arquivo Pessoal/ Dra. Keliany Duarte

A endometriose também está intimamente ligada as principais causas da infertilidade feminina. Muitas mulheres podem ser assintomáticas e não apresentarem dores fortes, sendo diagnosticada tardiamente enquanto tentam engravidar e não conseguem. Contudo, a ginecologista pontua que a gravidez em mulheres com endometriose não é impossível se tratada adequadamente.

 

Os avanços nos tratamentos são uma pontinha de esperança e alívio para as mulheres atingidas pela endometriose. Contudo, vale lembrar que compreender os aspectos emocionais da doença é tão importante quanto entender as questões fisiológicas do problema, uma vez que a ansiedade e o estresse podem interferir negativamente no quadro de qualquer dor crônica.

Uma pesquisa realizada pelo Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade (Gapendi) com 3 mil mulheres diagnosticadas com endometriose revelou que 50% delas também sofriam de transtorno da ansiedade, enquanto 34% eram acometidas por depressão. Muitos desses números se dão pela demora e dificuldade de acesso a tratamentos que aumentam ainda mais os riscos para transtornos depressivos e outras alterações de humor.

O momento do diagnóstico não é menos difícil. É quando a mulher tem a confirmação de que tem uma doença que pode impactar a sua vida, a sua rotina e até os seus sonhos, como o de ser mãe, por exemplo.

“É importante falar também sobre o psicológico da paciente com endometriose. Elas são pacientes que tem dor crônica e que demoram muitas vezes a se ter um diagnóstico concreto, sofrendo muito nesse processo. Muitas demoram a engravidar, outras precisam de cirurgia às vezes não engravidam mesmo após a cirurgia e até continuam sentindo dor. Então, pacientes com dores crônicas têm um perfil com tendência a desenvolver ansiedade e depressão”, conta a ginecologista.

Além de exames de rotina e consultas médicas, a médica faz um alerta para outros hábitos que podem promover qualidade de vida em quem sofre com a endometriose. “Muito se fala hoje sobre alimentação na promoção de qualidade de vida. Então, é preciso evitar a alimentos enlatados e embutidos, carne vermelha, frango, carne de animais que consomem ração, gorduras e etc. Melhorar a alimentação e aliar esta a prática de exercícios físicos é essencial no tratamento, melhora a imunidade e diminui o estado inflamatório”, diz a ginecologista.

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