A obra da Ponte Empresário João Claudino Fernandes, mais conhecida como ponte da UFPI, teve sua primeira licitação concluída em setembro de 2019, pela Central Permanente de Licitações da Secretaria Municipal de Administração e Recursos Humanos (Sema). A empresa vencedora foi a TCE Engenharia Ltda., que executaria o serviço por R$ 31.382.799,43. O prazo previsto para entrega da obra era de cerca de 14 meses, contados a partir da assinatura da Ordem de Serviço.
Ainda em novembro de 2020, a empresa responsável pela obra informou, em entrevista ao portal da Prefeitura de Teresina, que já haviam sido colocadas 130 das 292 estacas necessárias para a instalação dos nove eixos e 22 blocos da ponte, que terá 240 metros de comprimento. Além disso, afirmou que o prazo para conclusão da obra era o segundo semestre de 2021.

Em 6 de agosto de 2021, a Prefeitura de Teresina anunciou que havia realizado o distrato com a construtora responsável pela execução dos serviços e que, até aquele momento, a empresa havia executado apenas 18% dos serviços, o que correspondia somente a parte das fundações. A empresa alegou problemas decorrentes do período pandêmico.
Com o distrato, a planilha de valores foi atualizada e passou a ser avaliada em R$ 38 milhões. Por se tratar de uma obra custeada integralmente com recursos da Caixa Econômica Federal (FGTS), todo o processo precisou ser encaminhado à instituição para análise e nova licitação.
O segundo contrato foi firmado em julho de 2022 com a empresa Consórcio Construtor Teresina, desta vez com um orçamento estimado em R$ 40 milhões.

Em outubro de 2021, ainda sem uma nova licitação concluída, a Superintendência das Ações Administrativas Descentralizadas Norte (SAAD Norte) iniciou o processo de negociação com as 40 famílias que precisavam ser desapropriadas no bairro Água Mineral, uma vez que suas residências estavam localizadas nas proximidades da ponte.
De acordo com a SDU Norte, atualmente, o número de famílias subiu para 57 e o processo de desapropriação avança com resistência de alguns residentes mas, ainda assim, estão conseguindo realizar os acordos.
Moradores do bairro Água Mineral reclamam da demora para a conclusão da obra, uma vez que áreas de lazer do bairro foram desativadas para sua construção, que nunca foi finalizada. Um dos exemplos é um campinho de futebol que ficava na rua Aminthas Floriano, frequentado por pessoas de vários bairros, mas que hoje está desativado.
Além dos moradores, estudantes da UFPI que vivem na Zona Norte de Teresina afirmam que a construção da ponte encurtaria significativamente o trajeto e reduziria o tempo de deslocamento. “Todos os dias eu venho de lá (Zona Norte) até aqui (UFPI). Quando venho de moto, levo em torno de 15 a 20 minutos; de ônibus, levo cerca de 50 minutos. Acredito que, se essa ponte já estivesse concluída, eu levaria bem menos tempo para chegar e a rotina seria bem menos desgastante”, afirma Rita de Cássia, estudante do curso de Jornalismo da UFPI.
Para o conselheiro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Piauí, Carlos Kaiser, a ponte representa uma estrutura estratégica para a melhoria da mobilidade urbana na capital.
Segundo ele, a nova ligação viária entre as zonas Leste e Norte facilitaria o deslocamento de estudantes, professores, servidores da UFPI e moradores de bairros adjacentes, ao mesmo tempo em que desafogaria rotas saturadas.
“A Ponte da UFPI tem um papel fundamental na melhoria da mobilidade urbana em Teresina, especialmente no eixo que liga as zonas Leste e Norte. Essa conexão direta facilitaria não apenas o deslocamento diário de estudantes, professores e servidores da Universidade Federal do Piauí, como também de moradores de bairros adjacentes, desafogando rotas já saturadas”, avalia Kaiser.
Ele afirma ainda que a conclusão da ponte teria reflexos positivos no tráfego de outras estruturas viárias da capital. “Com a conclusão da obra, pontes como a da Primavera e a Estaiada poderiam experimentar um alívio no fluxo de veículos, principalmente nos horários de pico. Isso porque a nova estrutura criaria uma rota alternativa eficiente, permitindo uma redistribuição mais equilibrada do tráfego e reduzindo os engarrafamentos recorrentes nessas vias.”
Kaiser também destaca o déficit de infraestrutura na capital. “Atualmente, Teresina enfrenta um claro déficit em infraestrutura viária, especialmente no que se refere à quantidade de pontes sobre o rio Poti. A cidade cresceu, as zonas urbanas se expandiram, mas a malha de ligação entre essas regiões não acompanhou esse ritmo.”
O conselheiro alerta que o atraso não compromete apenas a mobilidade, mas o desenvolvimento urbano como um todo. “O atraso na entrega de uma obra como a Ponte da UFPI não impacta apenas a mobilidade — ele também compromete diretamente o desenvolvimento urbano, social e econômico das regiões afetadas. Investimentos privados e melhorias públicas tendem a se concentrar em áreas com boa acessibilidade. Assim, o adiamento prolongado de infraestruturas estratégicas limita o potencial de crescimento, valorização imobiliária e qualidade de vida das populações locais.”
Em abril de 2025, a prefeitura publicou uma matéria sobre uma reunião para tratar das obras da ponte, ocasião na qual o superintendente Alan Brandão declarou que tinha a intenção de retomar a obra no segundo semestre. Ele também afirmou que falta pouco e que o objetivo da reunião foi dialogar para destravar os procedimentos a cargo dos órgãos envolvidos.

No momento em que esta matéria está sendo produzida, em julho de 2025, as obras seguem paradas. Ao entrar em contato com a SDU Norte, responsável pelos serviços, fomos informados de que as obras estão em processo avançado de licitação, com previsão de lançamento de edital nos próximos dias. No entanto, ainda não é possível determinar uma data para o reinício das atividades.
Segundo a SDU Norte, atualmente, o orçamento estimado é de R$ 59.214.846,42, com tempo de execução previsto em 16 meses. A modalidade da licitação é concorrência.
Veja a nota na íntegra:
A ponte está em processo licitatório avançado, deverá ser lançado edital nos próximos dias e, se tudo correr bem, continua mantida a nossa previsão para reinício no segundo semestre.
Não é possível dar prazo para processo de licitação — não cabe, nesse caso. O processo está andando conforme o planejado.
A ponte, que homenageia o empresário João Claudino Fernandes, falecido em abril de 2020, terá 240 metros de comprimento, quatro faixas de rolamento (duas em cada sentido), além de vias exclusivas para ciclistas e pedestres. A estrutura vai ligar o bairro Água Mineral, nas proximidades do balão da Coca-Cola, à Universidade Federal do Piauí, próximo ao setor de esportes.
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