O cuidado com a saúde mental deve acontecer ao longo de todo o ano, sobretudo quando direcionada atenção às diferenças sociais, os impactos das vulnerabilidades, entre outros aspectos relevantes. É dentro desse contexto que também ganha relevância a chamada economia do cuidado, conceito que engloba todo o trabalho necessário para a manutenção da vida, desde o cuidado com crianças, idosos e pessoas doentes até as tarefas domésticas, realizadas de forma remunerada ou não.
Embora essencial, esse trabalho continua sendo em grande parte não valorizado e recai na maioria das vezes sobre as mulheres, o que impacta diretamente no seu bem-estar emocional. O acúmulo de responsabilidades, tanto no mercado de trabalho quanto em casa, pode ampliar sintomas como ansiedade, estresse, esgotamento e insatisfação com a vida, além de reduzir o tempo de lazer, afetar a qualidade do sono e comprometer a autonomia financeira e profissional.
Para a coordenadora do curso de Psicologia Karol Pessoa, enfrentar essa realidade exige políticas públicas que ofereçam suporte às famílias, a redistribuição das tarefas de cuidado entre todos os membros do lar e a valorização do autocuidado, do apoio psicológico e das redes de solidariedade comunitária. “São fundamentais políticas públicas como oferecer creches, subsídios para aumentar a participação feminina no mercado de trabalho e, de certa forma, reduzir sintomas de sofrimento psicológico materno em algumas situações. Outros exemplos são as licenças familiares, a jornada flexível e serviços de apoio. Tudo isso contribui para que essas pessoas e, principalmente essas mulheres, tenham menos chances de ter uma carga de estresse e mental prejudiciais”, destaca a coordenadora.
Em casos de agravamento dos sintomas de ansiedade, depressão, sentimento de esgotamento, entre outros, é fundamental destacar a importância da busca por acolhimento, escuta e até mesmo apoio psicológico profissional. “Além do apoio profissional, é importante a busca pelo autocuidado, a realização de práticas de atividade física, no qual a neurociência já ensina e explica os benefícios que a prática de atividade física tem para a saúde do corpo e mente”, endossa Karol Pessoa.
Projeto Social ajuda no bem-estar e autoestima de mulheres vítima de violência
Um exemplo de como o cuidado também pode transformar vidas é o Projeto Pele Livre, desenvolvido pelo setor de Fisioterapia da facid em parceria com instituições de acolhimento. O objetivo da ação é, de fato, acolher mulheres vítimas de violência doméstica. A iniciativa oferece atendimentos dermatofuncionais que ajudam a amenizar marcas físicas deixadas pelas agressões, contribuindo para o resgate da autoestima e da dignidade dessas mulheres, além do relaxamento e alívio da tensão muscular provocados pela violência sofrida.
Consequentemente, também traz ganhos ao bem-estar mental e melhora da autoestima. E, além disso, por meio do curso de Psicologia, também realiza o projeto Acolhe(DOR) em parceria com o Ministério Público, que tem como foco atender as mulheres vítimas de violências com apoio psicológico na policlínica da Instituição. Tudo em sinergia para atuar de forma integral no bem-estar físico, psicológico e social do público feminino.
Importante frisar que essas iniciativas também impactam os alunos voluntários, uma vez que trazem diversos aprendizados e contribui bastante para a formação. Quanto à participação dos discentes no projeto Pele Livre, o professor de Fisioterapia, José Ivo, compartilha que “é extremamente importante, porque nós conseguimos aliar tanto a teoria, vista em sala de aula, quanto a prática com essas pacientes que sofreram violência. Todas as técnicas e teorias vistas em sala de aula são aplicadas. Isso acaba estimulando e melhorando a formação do aluno a curto e longo prazo”, reitera.
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