Os advogados Juarez Chaves de Azevedo Júnior, Flávio Almeida Martins e a servidora estadual Lucile de Souza Moura foram postos em liberdade na tarde desta sexta-feira (24). O alvará de soltura foi expedido pelo delegado Tales Gomes, da Diretoria Especializada em Operações Policiais (Deop), responsável pela Operação Vice-Cônsul.
A medida foi autorizada após avaliação de que a prisão temporária não era mais necessária para o andamento das investigações. Desde a decretação da custódia, o juiz responsável pelo caso havia permitido que a autoridade policial concedesse a soltura antes do prazo de cinco dias, caso entendesse não haver mais necessidade da medida.
O que diz a investigação
Os três investigados são apontados como participantes de um suposto esquema para produzir dossiês falsos e denúncias sem fundamento, com a finalidade de coagir juízes e desembargadores do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), principalmente em processos relacionados à área agrária.
Segundo informações da investigação:
• denúncias foram registradas no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra magistrados, mas posteriormente retiradas, o que levantou suspeita de coação
• um dossiê falso teria sido deixado na mesa de um desembargador
• o material era compartilhado em grupos de WhatsApp com advogados e jornalistas
• magistrados chegaram a registrar Boletins de Ocorrência por calúnia e denunciação caluniosa
Flávio Martins teria sido o responsável por entregar um dos dossiês ao desembargador. O mesmo documento, de acordo com a polícia, teria sido elaborado com o apoio de Juarez Chaves e Lucile Moura.
Quem são os investigados
Juarez Chaves já é alvo de outra apuração conduzida pela Polícia Federal, que investiga o possível envolvimento do desembargador José James Gomes Pereira em esquema correlato.
Lucile Moura é servidora efetiva e professora assistente com dedicação exclusiva. Ela estava cedida à Secretaria de Governo até ser exonerada em 1º de outubro.
O que diz a defesa
A defesa de Juarez Chaves declarou que respeita as investigações e que a prisão temporária já havia cumprido sua função, com apreensão de celular e depoimento do advogado:
“Aguardamos o restabelecimento definitivo da liberdade, evitando manifestações mais específicas devido ao segredo de Justiça”, afirma a nota.
Já Lucile Moura divulgou posicionamento atribuindo a repercussão a um compartilhamento inadvertido:
“Compartilhei o material que circulava amplamente em grupos de WhatsApp, sem propósito infamante. Jamais tentei coagir ou difamar qualquer autoridade”, disse.
“Compreendo a responsabilidade do cargo que ocupava e sei que todos os fatos serão esclarecidos.”
A defesa de Flávio Almeida Martins ainda não se pronunciou publicamente sobre o caso.
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