PCC criou rede de fachada para lavar dinheiro no mercado de combustíveis do Piauí; entenda o esquema
Polícia Civil identificou uso de empresas, fundos e fintechs para movimentar bilhões e ocultar patrimônio em esquema que envolvia fraude fiscal e adulteração de combustíveis
05/11/2025 12h22Atualizada há 12 meses atrás
Por: Ryan Melo
Após a Operação Carbono Oculto 86, que aconteceu na manhã desta quarta-feira (05), a Polícia Civil do Piauí revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) estruturou um braço financeiro no estado para lavar dinheiro por meio do setor de combustíveis. O inquérito, conduzido pelo DRACO, aponta que o grupo usava empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para movimentar valores bilionários e disfarçar o controle da facção sobre redes locais de postos.
Origem da investigação
A apuração começou após a venda da Rede de Postos HD, que possuía unidades no Piauí, Maranhão e Tocantins. A compradora, Pima Energia Participações Ltda, foi criada apenas seis dias antes da transação, em dezembro de 2023. O negócio chamou atenção da polícia por envolver empresas recém-formadas e endereços em São Paulo sem lastro econômico compatível com o volume de investimentos.
Como funcionava o esquema
O grupo adquiria redes locais de postos, trocava as bandeiras comerciais sem alterar a operação e movimentava recursos por meio de fintechs e fundos de investimento para mascarar os beneficiários finais.
Além da lavagem de dinheiro, foram identificadas notas fiscais e CT-es falsos e adulteração de combustíveis, o que garantia lucro duplo: fraude comercial e reciclagem de capitais ilícitos.
Ao todo, mais de 70 CNPJs foram ligados ao esquema, que movimentou cerca de R$ 5 bilhões, sendo R$ 300 milhões apenas no Piauí.
A Polícia Civil representou ao Judiciário por prisões temporárias, buscas e apreensões, bloqueio de bens e contas, interdição de postos e suspensão das atividades econômicas das empresas associadas. Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam bens de luxo, incluindo um avião e um carro modelo Porsche Macan Turbo, avaliado em mais de R$ 550 mil.As medidas visam interromper o fluxo financeiro ilícito e preservar provas para futura reparação dos danos causados ao erário.
O inquérito conclui que o PCC consolidou no Piauí uma célula financeira autônoma, reproduzindo o modelo nacional desarticulado pela Operação Carbono Oculto, avaliado em R$ 52 bilhões.
A investigação é considerada uma das maiores da história da segurança pública piauiense e mostra a transição do crime organizado para a infiltração em setores formais da economia.
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