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Alerta: Fogos de artifício podem causar sofrimento e riscos à saúde de animais

Durante festas de fim de ano

31/12/2025 19h50 Atualizada há 10 meses atrás
Por: Ryan Melo Fonte: Agência Brasil
Foto: Freepik
Foto: Freepik

Enquanto a audição humana consegue distinguir sons que vão até uma frequência máxima de 20 mil hertz (Hz), os cães podem captar sons de até 40 mil Hz e os gatos chegam a perceber frequências de até 65 mil Hz. Esse cenário preocupa especialistas quanto aos impactos negativos provocados pelos fogos de artifício durante as festas de fim de ano.

O alerta é do presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), Diogo Alves, que chama atenção para os riscos físicos e emocionais que o barulho pode causar aos animais. Embora as grandes aglomerações e as queimas de fogos façam parte da tradição do Réveillon, para cães e gatos esse período pode significar sofrimento intenso, pavor e até risco real de acidentes graves.

“O som alto e repentino é interpretado pelo cão ou pelo gato como um estímulo potencialmente ameaçador. Isso gera um forte estresse e pode estar associado a fatores sensoriais, emocionais e comportamentais”, explica Diogo Alves.

Segundo o veterinário, esse quadro pode evoluir para uma fobia sonora, já que os animais potencializam os sons que escutam. “Eles ouvem o dobro do que um ser humano. No caso dos gatos, essa sensibilidade é ainda maior”, destacou. Por isso, o ideal é que os tutores iniciem uma preparação prévia, não apenas para o Natal e o Ano Novo, mas também para períodos como o Carnaval.

“O animal precisa ter uma rotina harmoniosa dentro de casa. Brinquedos podem funcionar como uma ferramenta emocional importante, ajudando a canalizar energia, estimular o foco e desviar a atenção dos estímulos externos”, orienta.

Os responsáveis também devem preparar o ambiente com antecedência, criando espaços mais seguros. Medidas como manter cômodos fechados, cortinas cerradas e improvisar isolamento acústico ajudam a reduzir o impacto do barulho. Sons constantes, como televisão ou música em volume moderado, podem funcionar como uma barreira sonora.

Devido à audição extremamente sensível, o barulho dos fogos pode desencadear reações como pânico, tentativas de fuga, tremores, salivação excessiva, automutilação e acidentes graves, incluindo quedas de janelas e muros. Em situações de fuga, os animais também correm o risco de serem atropelados.

Os efeitos do estresse não são apenas comportamentais. De acordo com o presidente do CRMV-RJ, cães e gatos podem apresentar taquicardia, aumento da pressão arterial, desorientação e crises convulsivas. Em casos extremos, o estresse pode levar à morte.

“A liberação de adrenalina é tão intensa que pode ocorrer uma parada cardíaca em decorrência da convulsão e do choque”, alerta Diogo Alves. Ele também não recomenda prender os animais em coleiras durante os fogos. “Isso pode provocar enforcamento. O animal tenta pular, entra em pânico e muitos acabam morrendo”, explicou.

Para os gatos, uma alternativa indicada são os feromônios em forma de spray. Esses compostos químicos, naturais ou sintéticos, imitam sinais de bem-estar e segurança, ajudando a reduzir o estresse, a ansiedade e a facilitar a adaptação ao ambiente. Outra recomendação importante é controlar as entradas da casa e manter portas e janelas sempre fechadas.

“Muito cuidado com convidados entrando e saindo. Uma porta aberta pode ser suficiente para o animal fugir”, alertou.

Segundo o veterinário, envolver o animal em mantas pode ajudar a aliviar o estresse. O contato físico também é essencial. “O contato da pele do animal com a do ser humano transmite segurança. Esse hábito, conhecido como ‘tail in touch’, estimula a liberação de hormônios que reduzem o estresse e amenizam a fobia sonora”, explicou.

Uso de medicamentos exige orientação veterinária

Em relação a medicamentos, Diogo Alves reforça que o uso de ansiolíticos ou sedativos só deve ocorrer com prescrição veterinária. “Cada caso é um caso. A sedação sem orientação pode causar efeitos colaterais graves. O sucesso ou o prejuízo está diretamente ligado à dose”, afirmou.

Outra recomendação importante é evitar alimentar os animais próximo ao horário dos fogos, pois a agitação pode causar engasgos. Como as queimas costumam começar ainda pela manhã do dia 31, o cuidado deve ser redobrado ao longo de todo o dia. A hidratação também é fundamental, especialmente devido ao calor.

“Cubinhos de gelo ou frutas congeladas, como melancia e melão, ajudam a distrair o animal e contribuem para a hidratação. Essas frutas têm alto teor de água e são bem aceitas pelos pets”, sugeriu.

O veterinário também alerta para o uso excessivo de ar-condicionado, que pode ressecar as vias aéreas dos animais. A dica é colocar um balde com água no ambiente para aumentar a umidade do ar. Quanto aos passeios, devem ser evitados nos horários de sol intenso. “Se o chão está quente para a gente, está dez vezes mais quente para o animal”, ressaltou.

Para os gatos, que costumam beber pouca água, é indicado espalhar potes pela casa e utilizar fontes, já que a água em movimento estimula o consumo.

O CRMV-RJ reforça que comemorar não pode significar colocar vidas em risco. Em períodos com grande incidência de fogos, o cuidado com os animais deve fazer parte do planejamento das festividades.

Atenção à alimentação nas festas

O professor de Medicina Veterinária da Universidade Guarulhos (UNG), Diego de Mattos, também alerta para riscos relacionados à alimentação durante as festas. Segundo ele, alimentos comuns nas ceias, como chocolate, uva-passa, cebola, alho e nozes, são tóxicos para cães e gatos.

“O chocolate contém teobromina e cafeína, substâncias que os animais não conseguem metabolizar adequadamente”, explicou. Massas cruas com fermento, bebidas alcoólicas, carnes gordurosas, defumadas ou muito temperadas também podem causar intoxicações graves, pancreatite e outros problemas de saúde. Ossos cozidos devem ser evitados, pois podem perfurar ou obstruir o trato digestivo.

A orientação é manter todos os alimentos fora do alcance dos animais e não oferecer restos de comida. Caso o tutor queira incluir os pets nas comemorações, o ideal é preparar opções seguras, como carnes magras cozidas sem tempero, legumes adequados e petiscos próprios para animais.

Diego de Mattos reforça que a procura por atendimento veterinário é essencial quando o medo ou a ansiedade se tornam intensos ou persistentes. Sintomas como tremores contínuos, vômitos, dificuldade para respirar, convulsões, tentativas desesperadas de fuga ou recusa em se alimentar exigem atenção imediata.

“O acompanhamento veterinário é fundamental para evitar que o medo e a ansiedade se tornem um problema crônico”, concluiu.

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