Pesquisa do Ministério da Previdência Social revelou que as dores na coluna foram a principal causa de afastamento do trabalho no Brasil em 2025, consolidando um cenário de alerta para doenças relacionadas ao esforço físico e à ergonomia. Ao todo, 4,1 milhões de benefícios por incapacidade temporária foram concedidos no ano passado, o que representa um aumento de 15% em relação a 2024, considerado o maior volume dos últimos quatro anos.
Segundo a pesquisa, as dores nas costas, chamadas de dorsalgia, lideraram o ranking pelo terceiro ano consecutivo somando 237.113 afastamentos, superando diagnósticos como hérnias de disco que registraram 208.727 concessões. Entre os afastamentos masculinos, as fraturas de pernas e tornozelos alcançaram 179.743 ocorrências e também aparecem entre as principais causas.
Para o ortopedista e docente do Instituto de Educação Médica, Dr. Plínio Linhares, o avanço das dores na coluna tem relação direta com os hábitos de trabalho das pessoas. “A coluna é uma estrutura que sofre impacto contínuo das condições de trabalho, especialmente quando há má postura, jornada prolongada com ausência de pausas e falta de ajustes ergonômicos como cadeiras sem apoio adequado e mesas fora da altura correta”, explica o médico.
O sedentarismo fora do ambiente de trabalho também é outro fator que agrava o quadro. “A falta de fortalecimento muscular, especialmente da musculatura abdominal e lombar, reduz a capacidade do corpo de proteger a coluna durante o esforço diário. Somado a isso, o estresse e a pressão por produtividade elevam a tensão muscular, intensificando os quadros de dores", explica Dr. Plínio.
O ortopedista alerta que atividades braçais que envolvem transporte de cargas pesadas e a necessidade de passar longas horas em pé, também aumentam o risco de dorsalgia, lombalgia e hérnia de disco. “Em muitos casos a dor começa de forma leve, mas evolui até se tornar incapacitante", afirma o especialista destacando que a prevenção ainda é subestimada por muitas pessoas. “Educação postural, pausas ativas e exercícios regulares seriam suficientes para reduzir significativamente os afastamentos, mas poucas empresas adotam políticas de saúde ocupacional", lamenta.
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