O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) apresentou, na manhã desta quarta-feira (25), denúncia contra 12 investigados por participação em um esquema envolvendo irregularidades na venda de combustíveis e lavagem de dinheiro em postos localizados em Teresina.
A acusação foi formalizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com a 6ª Promotoria de Justiça, e ainda depende de análise do Judiciário para eventual abertura de ação penal.
De acordo com as investigações, o grupo teria ligação com uma organização criminosa de alcance nacional, com origem identificada no estado de São Paulo e atuação estendida ao território piauiense.
As apurações indicam que as práticas ilícitas eram realizadas por meio de redes de postos conhecidas como HD e Diamante, já investigadas anteriormente durante a Operação Carbono Oculto 86, deflagrada em novembro de 2025. Na ocasião, diversas unidades foram interditadas após indícios de crimes financeiros e infrações contra a ordem econômica.
Segundo a nova denúncia, os envolvidos podem responder por adulteração de combustíveis, fraudes no abastecimento, falsidade ideológica e lavagem de capitais. Consumidores relataram prejuízos recorrentes, principalmente relacionados à quantidade inferior à registrada nas bombas e à qualidade dos produtos comercializados.
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As irregularidades teriam ocorrido de forma contínua entre 2016 e 2025. Nesse período, fiscalizações de órgãos competentes contribuíram para a identificação das fraudes. Parte das infrações envolvia manipulação dos sistemas de medição das bombas, com rompimento de lacres e alterações nos equipamentos, especialmente entre 2021 e 2024, intervalo em que se concentrou a maior parte das autuações.
Também foram constatadas fraudes na composição dos combustíveis, identificadas por análises técnicas que apontaram alterações nos produtos vendidos ao público. As investigações indicam que as práticas eram planejadas e executadas com base em cálculos para viabilizar o esquema.
Outro ponto levantado foi o uso de mecanismos para ocultar a origem dos recursos obtidos. Entre as estratégias, está a criação de empresas em nome de terceiros para dar aparência de legalidade aos valores movimentados.
Além das responsabilizações criminais, o Ministério Público solicita a condenação dos denunciados ao pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 74,2 milhões.
O processo tramita sob sigilo parcial. Caberá agora à Justiça decidir se aceita a denúncia. Até lá, permanecem em vigor as medidas cautelares já impostas aos investigados.
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