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Postada em 22/04/2020 ás 12h54 - atualizada em 22/04/2020 ás 15h55

Infectologista fala sobre importância do isolamento social e outras medidas de prevenção

Em entrevista ao Portal Clube Notícias, o Dr. Kelson Nobre ainda fala de outras polêmicas, como a eficácia do medicamento hidroxicloroquina.
Infectologista fala sobre importância do isolamento social e outras medidas de prevenção
Kelson Nobre, médico infectologista e intensivista. Foto: Arquivo Pessoal.

O mundo todo parou por causa de um inimigo invisível. Os vírus da família Coronavírus são conhecidos desde os anos 1960. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa. Esses vírus são comuns em muitas espécies de animais, incluindo Camelos, Gado, Gatos e Morcegos. Sobre o novo coronavírus, a suspeita atual é de que tenha sido transmitida aos humanos a partir dos morcegos.

Os sintomas dessa nova doença, a Covid-19, podem variar de um simples resfriado até uma pneumonia severa. Estudos demonstram que a doença tem uma baixa letalidade em comparação com outras viroses, mas ainda sim é muito contagiosa já que sua contaminação se dar por gotículas e áreas de contato que tenham o vírus presente. O novo Coronavírus vive até três dias sem superfícies, por isso o isolamento social é necessário.

Novo coronavírus. Foto: Reprodução/Getty Images

No Brasil, desde o início da doença, há discussões sobre a efetividade do isolamento se ele seria realmente necessário e se poderia ser substituído pelo isolamento vertical, quando somente as pessoas dos grupos de risco ficam resguardados. Em Teresina, o isolamento foi dado logo início. Para o infectologista Kelson Nobre, esse é um dos fatores que explicam a baixa propagação da doença no estado. "Este método é extremamente eficaz, se precocemente utilizado", avalia.

Em entrevista ao Portal Clube Notícias, ele ainda fala de outras polêmicas, como a eficácia do medicamento hidroxicloroquina: "o que a ciência tem como estabelecido de fato, é zero". E fala ainda sobre a efetiva proteção das máscaras de pano, que segundo ele, não é eficaz aos profissionais da medicina, mas aprova o uso pela pessoas, pois "bloqueia as gotículas que nós eliminamos ao falar, ao tossir ou a espirrar", explica Kelson.

Kelson Nobre falou também sobre as medidas de proteção que devemos adotar no combate ao novo Coronavírus, cuidados que as pessoas com comorbidades devem ter e sobre as sequelas que a Covid-19 deixa no organismo. Confira a entrevista completa:

Nesse momento de pandemia do Coronavírus quando chegamos no momento de pico da propagação da doença, sabemos que as formas mais efetivas de enfrentamento são a higiene e o distanciamento social. Porém uma parte da população não segue ou deixou de seguir essas recomendações. Como os profissionais da saúde encaram esse comportamento?

O fato de não se seguir as normas de higiene e distanciamento social elas são extremamente preocupantes, pois a ciência tem conhecimento da forma como esse vírus é transmitido, que é através de gotículas contaminadas que podem cair diretamente no seu rosto, caso alguém com a doença se aproxime muito de você, ou pode contaminar suas mãos numa superfície que contenha o vírus e levar essa mão ao rosto e assim contrair a doença. Dessa maneira, se alguém não segue essas normas, isso acarreta num aumento do número de pessoas contaminadas, o que é muito triste. 

Adicionalmente, a gente sabe que boa parte da nossa população brasileira sequer conhece quais são as normas usuais de higiene pessoal. Não é raro nós encontrarmos pessoas que não tem noção de que é necessário lavar as mãos, por exemplo, ao sair do banheiro, ao usar o banheiro. Que é necessário lavar as mãos depois que se pega em dinheiro, depois que se toca em qualquer superfície, como, por exemplo, trincos de porta, suportes de transportes públicos em que você se apoie, antes de preparar alimentos. Então essas noções básicas de higiene ainda são desconhecidas, e descumpridas, portanto, por grande parte da população brasileira.  

Então o piauiense, na sua percepção de médico, que está na linha de frente, você percebe que as pessoas, no geral, estão bem informadas e seguindo as medidas de prevenção?

Sim, as pessoas estão razoavelmente bem informadas. A imprensa tem feito um serviço inestimável transmitindo de forma maciça informações a respeito de todos os aspectos dessa doença, desde transmissão, pessoas que tem maior risco de doença grave, estatísticas a nível local e internacional, então por um certo lado, em vários aspectos, as pessoas estão bem informadas.   

Observa um aumento no número de idosos com Covid-19, ou outras faixas etárias que mais são afetadas?

Não existe um maior número, a nível mundial, de pessoas idosas com Covid-19. Ela ataca desde o recém-nascido até a pessoa mais idosa possível, porém o desfecho dessa doença é que muda conforme a pessoa seja idosa ou possua alguma doença associada, alguma doença prévia, sendo que nesses grupos a doença costuma ser mais grave.

As pessoas que tem comorbidades fazem parte de um grupo de risco e talvez até devem ter um cuidado redobrado. Quais são esses cuidados?

Não é que as pessoas com doenças associadas, as comorbidades, devem ter cuidado redobrado. Todos nós temos que ter cuidado. Pois, apesar de pessoas com comorbidade puderem evoluir pior, isso não quer dizer que as pessoas que não tenham doenças associadas vão sempre evoluir bem. Mesmo os jovens, eventualmente, podem ter a doença muito grave. 

O Ministério da Saúde mudou o entendimento sobre as máscaras de pano, permitindo o uso delas. Qual a efetividade de proteção delas?

Sobre as máscaras de pano, elas evitam que pessoas contaminadas transmitam o vírus para outras pessoas, pois, ela bloqueia as gotículas que nós eliminamos ao falar, ao tossir ou a espirrar. Porém, essas máscaras não são adequadas para nós, profissionais da saúde, que precisamos nos aproximar e tocar nos pacientes com a Covid-19. Para a população do modo geral, seu uso deve ser estimulado, pois, pode se transmitir a Covid-19 mesmo antes de se saber que estamos com a doença, ou seja, antes dos sintomas aparecem.   

Saíram algumas notícias de que a conjuntivite seria um sintoma da doença. Isso é verdade? Qual a relação das duas doenças?

A Covid-19 é uma doença respiratória, como a gripe, e não é raro a presença de conjuntivite associada a gripe, de modo que se isso acontecer na Covid-19 não será nenhuma surpresa. 

Várias pessoas estão se recuperando da Covid-19 no mundo todo. Quem teve a doença e se curou vai sequelas no organismo?

Em termos de sequelas pela Covid-19, elas podem acontecer em pessoas que tem a forma grave, ou seja, pessoas que tem a pneumonia e que então são entubadas para receber ventilação mecânica numa UTI, nessas pessoas, o pulmão pode fibrosar e perder uma parcela do seu funcionamento pro resto da vida a qual será proporcional ao acometimento pulmonar. É possível também, na Covid-19 grave, que a pessoa perca a função renal, podendo inclusive, em formas muito severas, essa função renal não retornar mais.    

Agumas semanas atrás foi muito propagado nas redes sociais sobre o uso de certos medicamentos. Gostaria que o senhor explicasse que eficácia efetiva a Hidroxicloroquina tem no tratamento das pessoas com Covid-19?

Sobre a eficácia efetiva da Hidroxicloroquina na Covid-19, ou seja, o que a ciência tem como estabelecido de fato, é zero. A ciência tem evidências de que a Hidroxicloroquina em tubinhos de ensaio pode diminuir a replicação viral. Em relação ao seu uso no ser humano com a doença, nós não temos nenhuma evidência de qualquer tipo de benefício favorável.    

Algumas pessoas não concordam com o isolamento total e sugerem um isolamento vertical, onde apenas grupos de risco são isolados. O que você acha dessa prática?

Sobre o isolamento, infelizmente, aqui não é como, por exemplo, dar opinião em política ou dar opinião em futebol. É ciência. Então, mesmo a minha opinião como médico ela tem um valor muito pequeno. Pois, são especialistas em epidemiologia que nos asseguram que este método é extremamente eficaz, se precocemente utilizado pelas regiões, em diminuir a quantidade de pessoas que se infectam ao mesmo tempo pelo vírus. 

E a respeito de uma vacina, temos alguma previsão? Quais as etapas para a produção de uma?

Em relação às vacinas, é possível que surjam. Geralmente levam 18 meses até a vacina estar pronta para os primeiros testes em seres humanos. E só depois desses testes em seres humanos é que nós poderemos ter uma ideia se a vacina funciona e se ela é eficaz. Portanto, não há como alimentarmos expectativas falsas, no momento, numa vacina em breve e curto espaço de tempo. 

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