Domingo, 18 de Outubro de 2026
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Política Declaração

Paulo Guedes sugere alimentar os pobres com restos de comida dos ricos

A ideia seria “transformar” o desperdício e direciona-lo a programas sociais, para atender “fragilizados, mendigos, desamparados”.

18/06/2021 10h38
Por: Redação Fonte: Poder 360
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira (17) que os brasileiros desperdiçam muita comida, criticando supostos “excessos” na cadeia produtiva e até em refeições. O economista usou como exemplo hábitos da “classe média europeia”, que, segundo ele, tem “pratos relativamente pequenos”.

“Você vê um prato de um [cidadão de] classe média europeu, que já enfrentou duas guerras mundiais, são pratos relativamente pequenos. E os nossos, aqui, fazemos almoços onde às vezes há uma sobra enorme. E isso vai até o final, que é a refeição da classe média alta. Até lá, há excessos”, afirmou.

No caso, Guedes pode ter usado uma métafora, como já fez outras vezes, para destacar benefícios da classe média brasileira –como descontos no Imposto de Renda com seguros de saúde. Os mais pobres fogem dessas benesses.

Depois da declaração, o ministro sugeriu incentivos para evitar sobras. A ideia seria “transformar” o desperdício e direciona-lo a programas sociais, para atender “fragilizados, mendigos, desamparados”.

“A gente pode dar um incentivo para que tudo isso que seja perdido, ao invés de ser jogado fora, seja transformado e justamente canalizado para os programas sociais. Como se fossem postos de atendimento, para que isso possa ser endereçado aos mais necessitados”, disse.

“Toda aquela alimentação que não for utilizada durante aquele dia no restaurante dá para alimentar pessoas fragilizadas, mendigos, desamparados. É muito melhor do que deixar estragar essa comida toda. E estraga diariamente, na mesa das classes mais altas brasileiras”, completou.

Assista:

As medidas, segundo o ministro, visariam a acabar com a fome no Brasil: “Do nosso lado, nós temos que fazer políticas sociais que permitam que os mais frágeis e vulneráveis sejam incorporados à cadeia produtiva ou amparados socialmente, os que não puderem ser integrados”.

Procurado pelo Poder360, o Ministério da Economia disse que não irá comentar o caso.

RELEMBRE OUTRAS METÁFORAS

O ministro Paulo Guedes já utilizou de alegorias e sarcasmos em outros momentos, algumas declarações repercutiram mal na mídia e entre políticos. Relembre:

empregadas domésticas – em 12 de fevereiro de 2020, Guedes afirmou que que a taxa de câmbio mais alta é “boa para todo mundo”. Ilustrou seu raciocínio dizendo que, com o dólar numa cotação mais baixa, até mesmo “empregada doméstica” estava viajando para a Disney, nos Estados Unidos;

servidores públicos – em 7 de fevereiro de 2020, o ministro comparou funcionários públicos a “parasitas” em discurso feito durante seminário sobre o pacto federativo na Escola Brasileira de Economia e Finanças da FGV (Fundação Getulio Vargas), no Rio de Janeiro;

macacos e Orçamento – em 9 de abril de 2021, Guedes criticou a forma como o Orçamento 2021 foi negociado. Em um evento do Bradesco BBI, ele comparou a negociação do Orçamento a uma nave pilotada por macacos: “Você está aterrissando a nave em Marte. Aí chega um macaco lá, aperta 3 botões, chuta o painel e começa a desviar a nave”.

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