Há mais de um mês, o advogado-geral da União, André Mendonça, peregrina pelo Senado em busca de apoio. Antes, a intenção era garantir sua indicação pelo presidente Jair Bolsonaro. Agora ele tenta erradicar qualquer rejeição ao seu nome que ameace sua alçada a uma das cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF). Aos 48 anos, escolhido pelo chefe do Executivo para ocupar a vaga deixada pelo ministro Marco Aurélio Mello, o jurista levanta a desconfiança dos parlamentares em razão do seu forte alinhamento com o governo.
Apesar do tempo dedicado às idas aos gabinetes dos senadores, ele tem se concentrado no contato com nomes de apoio ao governo e de centro e até do PT, o que tem levantado ainda mais precaução de representantes da oposição. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), composta por 27 senadores, o governo tem maioria, e Mendonça precisa de pelo menos 14 votos. Mas a vitória ainda é incerta e seria apertada. Nas contas do Planalto, ele teria entre 13 e 15 votos. No plenário do Senado, o cenário é mais complexo. Na comissão, a expectativa é de que ele tenha uma sabatina rígida, com questionamentos políticos e jurídicos.
Integrantes como as senadoras Simone Tebet (MDB-MS) e Eliziane Gama (Cidadania-MA) prometem perguntas complexas e articuladas. O senador Fabiano Contarato (Rede-ES), que ocupou o cargo de delegado da Polícia Civil, é notável conhecedor do ordenamento jurídico, crítico do governo e uma barreira para passar despercebido qualquer contradição que Mendonça eventualmente cometa durante as respostas que dará aos questionamentos. Apesar das críticas contra ele, no momento, a avaliação no Senado é de que, ao final do processo, sua indicação ao Supremo será ratificada pelos parlamentares.
Com mais de 20 anos de carreira na Advocacia Geral da União (AGU), André Mendonça não gerou surpresas ao ser indicado. Ele foi escolhido por ser “terrivelmente evangélico", como afirmou o presidente. De acordo com Bolsonaro, Mendonça, inclusive, prometeu fazer uma oração durante a abertura das sessões, prática que não seria bem vista na Corte. De acordo com levantamento feito pelo Supremo, a pedido do Correio, entre os ministros que declaram sua religião, Mendonça será o único evangélico. Apenas as ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia não informaram suas escolhas dogmáticas.
Mendonça é pastor da Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília. Mas sempre foi conhecido por saber separar o uso da Bíblia com o da Constituição. Mas isso mudou neste ano, quando passou a ser cotado para ocupar a vaga de Marco Aurélio, de repende, começou a recitar versículos bíblicos em suas sustentações na mais alta Corte do país. Também colecionou polêmicas, como o de fazer uso da Polícia Federal para perseguir críticos do governo - ato que lhe rendeu uma apuração preliminar na Procuradoria Geral da República (PGR).
Mas, dentro do Supremo, ele é bem visto, em razão de sua longa carreira jurídica, o tom de voz respeitador com os colegas e a capacidade de diálogo, inclusive com tradicionais opositores do governo. havia o temoor de escolhea de um nome menos palatável, mais ideológico. No entanto, não se descarta que ele siga alinhado com o Executivo após ingressar no cargo.
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