Em duas horas de uma live recheada de ataques a governadores, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), imprensa, petistas e, até mesmo, ao governo da Argentina, o presidente Jair Bolsonaro voltou a mentir sobre o processo eleitoral brasileiro, e colocar em xeque a lisura do voto eletrônico no Brasil.
Desta vez, entretanto, admitiu: “não temos prova”. A live, ocorrida nesta quinta-feira (29), foi divulgada como “coletiva” pela assessoria de comunicação do Palácio, mas não foram permitidas perguntas pelos jornalistas ao presidente.
Bolsonaro tem escalado disparos contra o sistema eleitoral brasileiro e dito, em ocasiões variadas, que não aceitará a realização de eleições em 2022 caso não seja aprovado pelo Congresso e implementado pelo TSE o voto impresso. Mais do que a simples impressão do voto, as declarações de Bolsonaro são vistas por políticos e representantes de instituições públicas, especialmente do judiciário, como um risco ao sistema democrático brasileiro.
As ditas provas de Bolsonaro de fraude eleitoral eram esperadas há quase um mês. Na live Bolsonaro, disse que tudo o que foi apresentado eram “apenas indícios”, e não fatos. "E eu digo mais: não temos prova. Deixar bem claro. Mas indícios que eleições para senadores, deputados, pode ocorrer a mesma coisa", reconheceu, invertendo a promessa de que apresentaria as esperadas provas. " Os que me acusam de não apresentar provas, eu devolvo a acusação: provem que não é fraudável".
O grande foco dos ataques do presidente foi o ministro do STF Luís Roberto Barroso, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Bolsonaro questionou a atuação dele junto a integrantes da comissão especial que analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 135/2019, que é analisada na Câmara e propõe o chamado voto impresso.
"Qual foi o poder de persuasão do Barroso? Que poder esse homem tem para ter esse convencimento? Por que que ele não quer que tenhamos eleições democráticas?", questionou Bolsonaro sobre a atuação do ministro.
"Onde quer chegar este homem que atualmente preside o Tribunal Superior Eleitoral e que quer a inquietação do povo? Quer que movimentos surjam no futuro que não condizem com a democracia?", continuou. Em outros momentos, o presidente alegou que os votos seriam contados "numa sala secreta no TSE" pelas "mesmas pessoas que tiraram o Lula da cadeia."
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