A juíza Mariana Tomaz da Cunha, da 28.ª Vara Federal do Rio de Janeiro, atendeu a pedido do Ministério Público Federal e do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero e afastou a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Larissa Peixoto Dutra do cargo. Para a magistrada, a nomeação de Larissa teve a intenção "não de acautelar o patrimônio cultural brasileiro, mas de promover o favorecimento pessoal de interesses específicos de pessoas e instituições alinhadas à agenda governamental".
O Ministério Público Federal pediu o afastamento de Larissa depois de o presidente Jair Bolsonaro ter admitido, na semana passada, que interferiu no Iphan, no fim de 2019, para ajudar o empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan. "Tomei conhecimento que uma pessoa conhecida, o Luciano Hang, estava fazendo mais uma obra e apareceu um pedaço de azulejo nas escavações. Chegou o Iphan e interditou a obra. Liguei para o ministro da pasta (Marcelo Álvaro Antônio, à época titular do Turismo): Que trem é esse? O que é Iphan, com ph? Ripei todo mundo do Iphan. Botei outro cara lá", disse Bolsonaro durante evento na Fiesp.
O pedido de afastamento atendido pela juíza, porém, é anterior à fala de Bolsonaro em São Paulo. Ele foi apresentado por Calero no ano passado sob a justificativa que a nomeação de Larissa afrontava os princípios da eficiência da atividade administrativa, uma vez que ela não preencheria os requisitos para o cargo.
Causa e efeito
No despacho dado na noite de anteontem, a juíza destacou que Hang é "notório apoiador do governo" e que este "procedeu à substituição da direção da referida autarquia, de modo a viabilizar a continuidade da obra" de interesse do empresário bolsonarista. "As falas sugerem uma relação de causa e efeito entre as exigências que vinham sendo impostas pelo Iphan à continuidade das obras do empresário e a destituição da então dirigente da entidade", diz trecho da decisão da magistrada, que citou, ainda, "desvio de finalidade".
"Fala-se em desvio de finalidade quando o agente público pratica um ato em benefício próprio ou alheio, sem observância aos princípios da supremacia do interesse público, da indisponibilidade do interesse público e da impessoalidade."
REUNIÃO. A atuação de Bolsonaro no Iphan veio à tona em abril de 2020, durante reunião ministerial cuja gravação foi divulgada por ordem do Supremo Tribunal Federal. Na ocasião, o presidente disse que mudou o comando do órgão para evitar a paralisação de obras. Larissa foi nomeada em maio daquele ano.
A nomeação chegou a ser suspensa um mês depois, mas a decisão foi derrubada pelo Tribunal Regional Federal da 2.ª Região. Na época, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentou uma notícia de fato sobre o assunto. A representação foi encaminhada à Procuradoria da República no DF, mas foi arquivada.
Larissa Dutra e o Iphan não haviam se manifestado até a conclusão desta edição.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
POLÍTICA Plenária sobre Educação abre série de encontros para apresentação de propostas de plano de governo de Rafael Fonteles
POLÍTICA Vereadora Tatiana Medeiros é condenada a mais de 19 anos de prisão por crimes eleitorais e financeiros
CÂMARA MUNICIPAL Sindicato dos Servidores de Teresina pede suspensão de projeto que altera pagamento do 13º e critica falta de diálogo
POLÍTICA Saiba quais ministros deixam os cargos para disputar as eleições
POLÍTICA Governo do Estado define regras para servidores durante o período eleitoral de 2026
POLÍTICA Presidente do TJ-PI, Aderson Nogueira, assume Governo do Estado durante férias de Rafael Fonteles 
Mín. 25° Máx. 39°
Mín. 25° Máx. 40°
Tempo limpoMín. 21° Máx. 41°
Parcialmente nublado



