A juíza da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, Leila Cury, determinou, nessa última quinta-feira (19), a transferência do senador cassado Luiz Estevão, do ex-ministro Geddel Vieira Lima e do ex-deputado Márcio Junqueira, mais conhecido como Juka, para a área de segurança máxima do presídio da Papuda.
Há um mês, com a deflagração da Operação Bastilha, policiais encontraram ao menos seis objetos proibidos na cadeia: cinco pendrives e uma tesoura. Para a juíza, a apreensão levanta a suspeita de corrupção de agentes públicos que poderiam ter garantido privilégios aos presos.
Luiz Estevão foi condenado a 31 anos de prisão pelo desvio, na década de 1990, de R$ 169 milhões na obra do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em São Paulo. Geddel foi preso preventivamente em 8 de setembro do ano passado, depois que uma denúncia anônima levou a polícia até o apartamento de um amigo dele, onde estavam R$ 51 milhões dentro de malas e caixas de papelão. E Márcio Junqueira foi preso preventivamente no último mês de abril, suspeito de obstrução de justiça na operação Lava Jato.
Geddel Vieira Lima foi denunciado na operação Cui Bono e está preso em Brasília desde setembro de 2017, ele passou três meses em prisão domiciliar na Bahia. Durante a investigação, a Polícia Federal descobriu R$ 51 milhões em malas e caixas em um apartamento atribuído a ele, em Salvador (BA). Por conta disso, o ex-ministro foi indiciado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução de investigação. Ele está em prisão preventiva e ainda aguarda julgamento.
O ex-deputado Márcio Junqueira é suspeito de comprar o silêncio de um ex-assessor que denunciou esquema de pagamento de propina a parlamentares do Progressistas (PP). O ex-deputado foi do PP, passou pelo Pros e, hoje, é filiado ao Avante. Segundo a PF, a Operação Lava Jato acompanhou e registrou em vídeo, em fevereiro deste ano, duas entregas de dinheiro feitas pelo ex-deputado Márcio Junqueira ao ex-assessor do senador Ciro Nogueira (PP-PI), José Expedito Rodrigues Almeida.
A gravação foi uma "ação controlada" da PF, isto é, uma operação planejada com o auxílio do próprio Almeida, que procurou a polícia para denunciar um esquema de captação de propina. As informações sobre as gravações estão detalhadas no material da investigação, ao qual a TV Globo teve acesso e divulgou. Segundo Almeida, o dinheiro – R$ 5 mil na primeira entrega, em 26 de fevereiro, e R$ 1 mil na segunda, em 28 de fevereiro – destinava-se à compra do silêncio dele.
O ex-assessor disse à PF que as entregas foram feitas por Márcio Junqueira com o objetivo de que ele, Almeida, ficasse calado ou mudasse o teor de depoimentos dados anteriormente – desfavoráveis a Ciro Nogueira e Eduardo da Fonte (PP-PE).
Junqueira foi preso no dia 24 de abril deste ano, mesmo dia em que a PF fez buscas nos gabinetes e apartamentos funcionais do senador Ciro Nogueira e do deputado Eduardo da Fonte.
Com informações da Agencia Brasil / Estadão / G1
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