A audiência de instrução e julgamento que investiga a vereadora Tatiana Medeiros (PSB) avançou para o segundo dia nesta terça-feira (25), no Fórum Eleitoral de Teresina. Ela responde, junto com outros oito acusados, por suspeitas de corrupção eleitoral e participação em organização criminosa. O primeiro depoimento do dia começou às 9h50.
O procedimento é considerado uma etapa central do processo, já que envolve análise de provas e escuta de testemunhas, réus e especialistas antes da decisão final. O principal ponto investigado, segundo o Ministério Público, é a possível compra de votos durante a campanha da parlamentar.
Tatiana chegou ao Fórum por volta das 9h, acompanhada do advogado Francisco Medeiros. Assim como no primeiro dia, ela permaneceu em silêncio. O defensor afirmou que a vereadora segue tratamento psiquiátrico e que a defesa pretende solicitar a retomada das atividades da ONG Vamos Juntos.
A equipe jurídica também insiste na tese de que parte das provas estaria comprometida, como os dados extraídos dos celulares dos investigados a partir de um relatório financeiro posteriormente anulado pela Justiça por ter sido produzido sem autorização. A defesa afirma que não há elementos que vinculem Tatiana a facções criminosas e que o processo deve se restringir à apuração de eventual compra de votos.
Nesta terça, Tatiana foi a única ré presente. O namorado dela, Alandilson Cardoso, está preso no Centro de Detenção Provisória de Altos desde outubro e decidiu comparecer apenas no primeiro e no último dia da audiência, quando será ouvido com os demais réus. O advogado dele, Wildes Próspero, informou que pedirá sua liberdade e negou qualquer ligação do cliente com organizações criminosas.
Como foi o primeiro dia de julgamento
O primeiro dia da audiência, realizado nesta segunda-feira (24), teve 11 depoimentos que se estenderam por várias horas. Um deles durou cerca de quatro horas, sendo o mais longo registrado até o momento.
Delegados da Polícia Civil e da Polícia Federal estiveram entre as testemunhas, além de funcionários de um restaurante mencionado na investigação. Seus nomes apareciam em um caderno apreendido pela Polícia Federal como supostos destinatários de valores que poderiam ter sido usados para compra de votos. Todos negaram participação em qualquer esquema.
Uma 12ª testemunha prevista não foi ouvida porque estava em missão externa e acabou dispensada pelo colegiado.
Os trabalhos do primeiro dia reforçaram a linha de investigação sobre a possível captação ilícita de sufrágio, enquanto a defesa insistiu na tese de que as provas teriam sido produzidas de forma irregular e não sustentariam vínculo da vereadora com facções criminosas.
A programação da audiência segue até sexta-feira (28). No total, 112 pessoas devem participar, entre testemunhas e os nove réus
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