A audiência que apura as acusações contra a vereadora Tatiana Medeiros e outros oito investigados entra nesta sexta-feira (28) em seu quinto dia, encerrando a etapa de instrução do processo. A expectativa é que Tatiana seja ouvida ao lado do namorado, Alandilson Cardoso, além de outros três réus que ainda não prestaram depoimento.
Também estão na lista de oitivas a assessora Emanuelly Pinho e os colaboradores Bruna Raquel Lima e Sávio França, vinculados à ONG Vamos Juntos, organização criada e administrada pela parlamentar.
Desde segunda-feira (24), dezenas de pessoas já foram ouvidas no Fórum Eleitoral de Teresina. Na sessão desta quinta-feira (27), foram prestados depoimentos pela mãe da vereadora, Maria Odélia Medeiros, e pelo padrasto, Stênio Ferreira, além de outras dez testemunhas convocadas. Quatro pessoas que estavam previstas na pauta do dia foram dispensadas.
A fase de instrução é considerada uma das mais importantes do processo, pois reúne a produção de provas, os depoimentos de testemunhas e a manifestação dos acusados. No entanto, ao final da sessão de ontem, quatro réus chamados optaram por permanecer em silêncio.
Ao longo dos cinco dias de audiência, mais de cem participantes, entre denunciados e testemunhas, devem ser ouvidos pelo colegiado responsável pelo caso.
Relembre o caso da vereadora
O caso teve início em março, quando o mandado de prisão preventiva de Tatiana foi expedido. A Polícia Federal afirma que ela teria comandado um esquema envolvendo uma facção de forte atuação no estado. A Justiça Eleitoral decidiu afastá-la da Câmara Municipal e o suplente Leondidas Júnior assumiu a vaga após o período previsto no regimento.
Tatiana foi presa em abril durante a Operação Escudo Eleitoral, conduzida pela Polícia Federal. As investigações apontaram que sua campanha de 2024 teria sido financiada com recursos ilícitos provenientes de uma facção criminosa. A audiência estava inicialmente marcada para outubro, mas foi cancelada após decisão judicial que anulou um relatório financeiro usado como base na acusação, obtido sem autorização judicial.
A vereadora permaneceu presa até junho, quando recebeu autorização para cumprir prisão domiciliar por motivos de saúde, após episódios de mal-estar que resultaram em internações. Em outubro, uma liminar chegou a determinar sua libertação, porém o Tribunal Regional Eleitoral manteve a decisão de afastá-la do cargo e manter o regime domiciliar, argumentando risco de interferência nas investigações.
Confira quem responde ao processo
Tatiana Teixeira Medeiros, vereadora de Teresina, responde por organização criminosa, corrupção eleitoral, falsidade ideológica eleitoral, peculato e lavagem de dinheiro.
Alandilson Cardoso Passos, namorado da vereadora, responde por organização criminosa, corrupção eleitoral, violação do sigilo do voto, agiotagem e lavagem de dinheiro.
Stênio Ferreira Santos, padrasto da vereadora, responde por organização criminosa, corrupção eleitoral, violação do sigilo do voto, peculato, apropriação indébita eleitoral, agiotagem e lavagem de dinheiro.
Maria Odélia de Aguiar Medeiros, mãe da vereadora, responde por organização criminosa, corrupção eleitoral, apropriação indébita eleitoral e lavagem de dinheiro.
Emanuelly Pinho de Melo, assessora, responde por organização criminosa, corrupção eleitoral e lavagem de dinheiro.
Bianca dos Santos Teixeira Medeiros, irmã da vereadora, responde por organização criminosa e corrupção eleitoral.
Lucas de Carvalho Dias Sena, cunhado da vereadora, responde por organização criminosa e corrupção eleitoral.
Bruna Raquel Lima Sousa, funcionária de uma ONG, responde por organização criminosa e corrupção eleitoral.
Sávio de Carvalho França, também funcionário da ONG, responde pelas mesmas acusações.
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