Após cinco dias de intensa sessão no Fórum Eleitoral de Teresina, encerrou-se nesta sexta-feira (28 de novembro de 2025) a fase de instrução e julgamento do processo que investiga a vereadora Tatiana Medeiros (PSB) e oito outros réus por suposto envolvimento em crimes eleitorais e financeiros. As sessões, realizadas entre os dias 24 e 28 de novembro, reuniram depoimentos de acusação e defesa, análise de perícias e oitiva de testemunhas.
Ao longo da semana foram ouvidas dezenas de testemunhas, e também prestaram depoimentos os réus, entre eles a própria Tatiana e seu namorado, Alandilson Cardoso Passos. Algumas testemunhas trouxeram versões conflitantes: enquanto representantes do Ministério Público Eleitoral e da investigação apontaram indícios de compra de votos e financiamento ilícito de campanha por meio de organização criminosa, a defesa contestou a origem e a legalidade de provas como relatórios de inteligência financeira e extratos de dados telefônicos.
O processo apura, segundo a denúncia, crimes que incluem organização criminosa, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro, peculato e falsidade ideológica. A investigação teve participação da Polícia Federal e da Polícia Civil, e foi batizada em algumas fases como operação relacionada à atuação de facções criminosas no pleito municipal de 2024. Parte da acusação sustenta que a campanha da parlamentar teria sido financiada por integrantes de uma facção, tese que a defesa rejeita veementemente.
Situação processual atual e próximos passos
Com o término das audiências de instrução, o processo entra na fase de alegações finais, quando Ministério Público e defesa apresentarão, por escrito ou oralmente, suas argumentações conclusivas com base nas provas colhidas. Em seguida, os autos deverão ser apreciados por um colegiado de três juízes eleitorais (procedimento previsto para ações penais dessa natureza na Justiça Eleitoral) que emitirá a sentença. A expectativa é de que a decisão final ocorra somente em 2026, dada a complexidade e o volume probatório.
E quanto à situação prisional e às implicações administrativas?
Tatiana Medeiros foi presa preventivamente em abril durante fases da investigação, mas, conforme reportagens, cumpre atualmente prisão domiciliar desde maio, com uso de tornozeleira eletrônica. Além das consequências criminais, processos dessa natureza costumam ter desdobramentos eleitorais e administrativos, como inelegibilidade, perda de mandato ou sanções à ONG vinculada à parlamentar, dependendo do teor da sentença e de eventuais medidas cautelares. A defesa já sinalizou que pretende, judicialmente, pedir a retomada das atividades do Instituto Vamos Juntos, ONG mantida pela vereadora, que permanece suspensa por decisão anterior.