
A depredação da estátua de Iemanjá, localizada na Avenida Marechal Castelo Branco, em Teresina, voltou a provocar discussões sobre intolerância religiosa e a proteção de símbolos sagrados em espaços públicos. O monumento teve o vidro do aquário de proteção quebrado e uma das mãos danificadas no domingo (1º), às vésperas do Dia de Iemanjá, celebrado nesta segunda-feira (2).
O caso gerou forte repercussão entre representantes de religiões de matriz africana, que cobraram respostas rápidas das autoridades e a utilização de sistemas de videomonitoramento para identificar o autor do ataque. Até o momento, nenhum suspeito foi localizado.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), a investigação ficou sob responsabilidade da Delegacia de Proteção aos Direitos Humanos. O órgão informou ainda que imagens de câmeras públicas e privadas estão sendo analisadas para esclarecer as circunstâncias do crime.
Histórico de ataques e simbolismo da imagem
Esta não foi a primeira vez que a estátua foi alvo de violência. Em junho de 2024, meses após a inauguração, o monumento já havia sido danificado. A obra substituiu uma imagem anterior e passou a retratar Iemanjá com feições de mulher negra, o que também motivou ataques racistas nas redes sociais antes mesmo da instalação oficial.
Iemanjá é uma das principais divindades das religiões de matriz africana, reconhecida como a orixá das águas salgadas, dos mares e oceanos. No Brasil, sua imagem representa fé, ancestralidade e resistência cultural.
Mobilização e cobrança por monitoramento
Após o ataque, entidades ligadas aos povos de terreiro reforçaram a cobrança por medidas permanentes de proteção ao monumento. A Articulação Nacional de Povos de Matriz Africana e Ameríndia (ANPMA-Brasil) repudiou o ocorrido e destacou que há mais de dois anos solicita a instalação de câmeras de vigilância no local.
Para a entidade, o episódio vai além de vandalismo e representa uma violação direta à liberdade religiosa e à dignidade das comunidades tradicionais. Um ato público foi convocado para as 16h desta segunda-feira (2), em frente à estátua, em defesa do respeito às religiões de matriz africana e ao patrimônio sagrado.
Crime e penalidades previstas em lei
A legislação brasileira classifica atos de intolerância religiosa como crime, com pena prevista de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. A punição pode ser aumentada caso haja participação de mais de uma pessoa. O Piauí ocupa atualmente a quarta posição no ranking nacional de registros de violência contra comunidades tradicionais de matriz africana.
Confira a nota da SSP-PI na íntegra
A Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) informa que o caso de vandalização da estátua de Iemanjá, localizada na Avenida Marechal Castelo Branco, em Teresina, já foi encaminhado à Delegacia de Proteção aos Direitos Humanos, que ficará responsável pela investigação.
A SSP-PI esclarece que imagens do Sistema de Videomonitoramento Urbano com Inteligência Artificial (SPIA), bem como de câmeras privadas existentes na região, estão sendo analisadas com o objetivo de identificar o autor do ato, promover a responsabilização criminal e apurar a responsabilidade pela reparação do dano ao patrimônio público.
A Secretaria reforça que atos de vandalismo e ataques a símbolos religiosos e culturais são tratados com seriedade e rigor, e que as forças de segurança seguem atuando de forma integrada para garantir a preservação do patrimônio público, o respeito à diversidade religiosa e a responsabilização dos envolvidos.
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