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Ilana Alencar

Ilana Alencar

86 3085 3892

Postada em 31/07/2020 ás 12h57

Perdas e Danos

Sobre o covid 19 é difícil falar sem ser repetitivo, sem cair no lugar comum, mas não vou falar em tese. Vou falar da minha experiência pessoal, minha verdade. Claro que minha vida e rotina mudaram.

Meu trabalho no TRE cercado de colegas e trocando ideias e experiências é feito agora em casa com um computador e a interação esporádica via celular, prefiro o cafezinho coletivo...

Perdi contato humano, perdi parte da civilidade que dá o trato profissional. No dia a dia perdi a rotina, desde levar criança pra escola, realizar meus pequenos afazeres diários que agora parecem tão especiais, à mera liberdade de sair quando me conviesse, aprendi a fazer os cabelos, a fazer tiktok e um monte de receitas, aprendi muitas amenidades, aprendi também a ficar em casa e conviver com minha família nuclear, aprendi a ver animes com os meninos e essa parte é um prazer.

Conviver comigo mesma é que nem sempre funciona, penso demais, sou chata... Perdi o contato físico constante com minhas irmãs e sobrinhos, com meus amigos e conhecidos. Sou daquelas que abraçam e beijam mesmo, sou de contato, perdi o fim de semana agitado que adoro.

Já me revoltei, chateei, me senti sozinha, me senti frustrada, vi coisas feias demais sendo ditas e feitas, descobri que o vírus corrói a nossa saúde mental, dá medo uns dos outros e de nós mesmos, traz a tona angústias e inseguranças. No convívio estrito, apesar de virtual, com um infectado, meu namorado João Filho, vi o quanto ele sofreu. Desde o diagnóstico, que sofreu com o tratamento, com o pânico de ter me infectado, o que não aconteceu, de infectar sua mãe, que também não aconteceu, com mil palpites sobre tudo, e a certeza de nada. A angústia de se afastar do trabalho, a angústia de se saber com uma doença sem tratamento específico, como entra e sai de hospitais sempre sozinho...

Sabe a falta que faz aquele colo quando estamos doentes? Aquele cuidado que a gente espera quando está fragilizado? Essa doença tira isso da gente, te deixa só com suas incertezas. Imagine que ele esta aí tendo que lidar os sintomas, que nele até foram moderados, mas sem ninguém ao lado e com toda a carga emocional dessa pandemia... admiro sua coragem e força.

Agora eu pergunto nessa hora em que estamos todos envoltos nessa crise, como não se transtornar??? Sofre-se muito e de forma variada. E tem a decepção geral também... Vi gente sendo preconceituosa com os infectados e já curados, logo quem menos risco representa agora... Lastimável!

O fato é que momentos decisivos trazem à tona o pior e o melhor das pessoas. Que passe logo, que venha a vacina, o tratamento e a cura da doença, por que as sequelas que ela vai nos legar vão demorar para serem erradicadas, muito tratamento médico,  psicológico virá, muita reformulação social e econômica e muitas adaptações nos esperam.

A mim só coube até agora assistir e refletir, quero acolher quem precisar na medida do meu pequeno alcance, escrevi pra que quem se sente de alguma forma próximo do que eu sinto saiba que não está só.

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