Segunda, 19 de Outubro de 2026
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Política Denúncia

Escândalo no governo: TCE investiga desvio de R$ 200 milhões de consignados

Governo desconta na folha de pagamento dos servidores e não repassa valores às instituições financeiras.

15/05/2018 09h42 Atualizada há 8 anos atrás
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Prédio do Tribunal de Contas do Piauí. (Foto: Thiago Amaral)
Prédio do Tribunal de Contas do Piauí. (Foto: Thiago Amaral)

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) está investigando o governo do Piauí por suposta apropriação indébita de recursos retidos dos servidores. O valor chega a R$ 200 milhões em quase dois anos. O dinheiro é referente a descontos na folha de pagamento de funcionários públicos estaduais que fizeram empréstimos consignados com os bancos conveniados e que deveriam estar sendo pagos pelo Estado.

Na prática, o servidor faz o empréstimo, recebe o dinheiro e autoriza que o valor da parcela mensal seja descontado na folha de pagamento. O desconto está sendo feito, mas o recurso, segundo denúnicias de servidores, não está sendo repassado pelo Governo para as instituições financeiras.

Com o atraso do pagamento do governo, o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal suspenderam os empréstimos consignados para os servidores. Funcionários públicos estaduais das mais diversas áreas afirmam que estão com os nomes sujos e impedidos de fazer qualquer transação financeira.

Quando esteve em Corrente, no início deste mês, ao dar uma entrevista na rádio Cerrado, o pré-candidato a governador do Piauí pelo PSC, Valter Alencar foi procurado por um ouvinte que fez a denúncia. Segundo o Pastor Luiz Damasceno Marques, a esposa dele que é funcionária publica estadual está como devedora de três parcelas de um empréstimo consignado que fez junto a Caixa Econômica Federal. O governo não fez o repasse dos valores e ela está sendo cobrada pela agência bancária.

Pastor Luiz Damasceno Marques, de Corrente, mostra extrato bancário da esposa dele. Foto: Portal Clube Notícias

"Eu não estava esperando de um governo que se diz legal, tirar o recurso do contracheque do funcionário, reter, e não repassar para a instituição financeira. O que vai acontecer? Vamos ficar com o nome sujo na praça e de mãos atadas", afirmou o pastor.

O TCE-PI está investigando a prática indevida e aguarda informações oficiais das instituições financeiras para concluir o relatório. A suspeita é que o dinheiro descontado dos contracheques dos servidores tenha entrado na conta única do Estado para ser utilizado com outra finalidade. 

Segundo o pré-candidato Valter Alencar, a situação é gravíssima. "Esse é mais um escândalo desse governo, primeiro o desvio de recursos do empréstimo feito na Caixa Econômica Federal e agora essa apropriação indébita dos recursos dos servidores. Uma atitude criminosa que tem urgência de ser investigada para que sejam tomadas as devidas providências. Os servidores não podem ficar com o nome sujo na praça por causa de uma irresponsabilidade do governo", afirma.

E o que diz o governo?

Em nota divulgada à imprensa, a Secretaria de Fazenda (Sefaz) afirma que os valores já estão sendo regularizados, que são abaixo do que foi informado pelo TCE e que os atrasos são referente a apenas um mês. O Banco do Brasil informou que trabalha com o governo do Estado para que a situação seja regularizada. A Caixa Econômica Federal preferiu não se posicionar.

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