Na pesquisa do Instituto Data Z para governador do Piauí nas eleições de 2018 dois parâmetros merecem uma reflexão em especial: não rejeição e indecisão. E a explicação é simples: a primeira pode estar diretamente relacionada à segunda.
No quesito rejeição, a pesquisa não apresentou os nomes de pré-candidatos, ou seja, deixou a critério do eleitor escolher em quem não votaria de modo algum para ocupar o palácio de Karnak. Os 1.200 entrevistados citaram 20 nomes e o resultado foi surpreendente: 51,17% não rejeitaram nenhum deles.
Esse índice, no entanto, não é para ser comemorado por eventuais candidatos. Isso, na verdade, pode indicar um completo desinteresse por eleição devido a decepção com políticos. Uma realidade não só do Piauí, mas também de todo o Brasil. O eleitor estaria imbuído daquele pensamento do “tanto faz”, “nenhum presta mesmo” ou “nenhum vai resolver...” É o que se ouve nas ruas, em qualquer roda de conversa. Um desencanto geral com os políticos e motivos não faltam, todos nós sabemos.
Sendo assim, o recado da população está claro: a falta de interesse evidenciado na pesquisa significará elevada abstenção nas eleições e/ou um número gigantesco de votos nulos ou em branco.
Mas nem tudo está perdido. Basta refletir melhor sobre um outro dado da pesquisa: 59,5% não sabem ainda em quem votar para o governo estadual. Um número alto. Essa indecisão explica, em parte, o percentual da não rejeição. As pessoas não rejeitam porque ainda não sabem em quem votar.
O cidadão está dando um tempo para conhecer todos os candidatos. Ele se recusa a avalizar outra vez aqueles que prometeram e não cumpriram, aqueles que se apegaram ao poder e às benesses dele e esqueceram o povo ou aqueles que se atolaram na corrupção desenfreada, que tantos prejuízos causou à nação.
A população no Piauí ou em qualquer canto do país anseia por mudança.
Nesse particular, é grande a responsabilidade, nesta eleição, de quem se apresenta pela primeira vez ao eleitorado. Cabe aos nomes novos na política virar o jogo na cabeça do eleitor. Se aqueles que já tiveram mandatos decepcionaram, o desafio de voltar a motivar o eleitor será dos estreantes.
Frustrado, o cidadão exige ficha limpa e competência. Para voltar a ter prazer de participar do processo democrático, o eleitor quer propostas inteligentes e viáveis para solucionar os seus problemas do cotidiano. Um plano de governo competente e realista será fundamental nesse processo. Somente dessa forma, os entrevistados em uma pesquisa de intenção de votos vão rejeitar quem avaliarem que merece ser rejeitado e vão decidir com consciência em quem votar.
Para quem tiver o perfil do novo de verdade, mãos à obra. Ainda há tempo!
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